Na recente COP15 da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias (CMS), realizada em Campo Grande, Brasil, o Chile conseguiu a aprovação de duas iniciativas-chave para a proteção de aves limícolas ameaçadas:
- Uma Ação Concertada com a Argentina para conservar o chorlo de Magallanes (Pluvianellus socialis).
- A inclusão do maçarico-de-bico-reto (Limosa haemastica) no Apêndice I do tratado, o que implica medidas urgentes de conservação a nível internacional.
Essas decisões ocorrem em um contexto crítico: quase metade das espécies migratórias protegidas pela CMS estão em declínio, o que reforça a necessidade de cooperação entre países para proteger rotas migratórias e zonas úmidas essenciais.
A Convenção CMS
A CMS reúne 133 partes contratantes (132 países mais a União Europeia) com o objetivo de proteger espécies migratórias terrestres, marinhas e avifauna ao longo de suas áreas de distribuição. O Apêndice I inclui espécies em perigo que requerem ações imediatas, enquanto as Ações Concertadas permitem coordenar esforços entre Estados membros.
No Chile, o Comitê Nacional da CMS é presidido pelo Ministério das Relações Exteriores, com Secretaria Técnica do Serviço Agrícola e Pecuário (SAG).
Espécies em risco
- Chorlo de Magallanes: restrito à Patagônia, utiliza a estepe austral do Chile e da Argentina. Com menos de 1.000 indivíduos, é uma das aves limícolas mais ameaçadas do mundo. O Santuário da Natureza Bahía Lomas é um de seus locais críticos.
- Maçarico-de-bico-reto: realiza migrações de longa distância entre a América do Sul e o Ártico. Sua população diminuiu mais de 10% ao ano em três gerações. As zonas úmidas de Chiloé abrigam mais de 20.000 indivíduos, o que representa 27% da população mundial e 99% da população da costa do Pacífico.

Valor das decisões
Diego Luna Quevedo, especialista da Manomet Conservation Sciences, destacou que as medidas aprovadas permitem alinhar políticas e planos de conservação entre países, otimizando recursos e evitando duplicidade de esforços.
A Secretária Executiva da CMS, Amy Fraenkel, sublinhou que “as espécies não vão esperar pela nossa próxima reunião. A implementação tem que começar amanhã”.
Relatório global sobre espécies migratórias
Antes da COP, a CMS apresentou o relatório “Estado das espécies migratórias no mundo”, que adverte:
- 49% das populações protegidas estão em declínio (5% a mais em apenas dois anos).
- 24% enfrenta risco de extinção (2% a mais).
- 26 espécies, incluindo 18 aves limícolas, passaram para categorias de maior risco.
Durante a COP, 40 espécies e subespécies foram adicionadas ou reclassificadas nos Apêndices I e II.
A aprovação dessas iniciativas lideradas pelo Chile marca um avanço significativo na conservação de aves limícolas migratórias. Em um cenário global de declínio, a cooperação internacional torna-se indispensável para proteger espécies críticas e os ecossistemas que sustentam suas rotas migratórias.



