A crise ambiental no Irã é agravada pelos efeitos da chuva ácida, resultado dos ataques a instalações petrolíferas no contexto do conflito com os Estados Unidos e Israel.
Segundo organizações como Greenpeace, esses bombardeios liberaram uma grande quantidade de poluentes atmosféricos que podem causar danos irreversíveis aos ecossistemas, à agricultura e à saúde humana.
O processo de combustão do petróleo não refinado emite altos níveis de enxofre e óxidos poluentes, que se transformam em precipitações corrosivas quando se misturam com a água na atmosfera.
A chuva ácida não só afeta a qualidade do ar e as zonas urbanas próximas aos locais bombardeados, mas também coloca em risco os recursos hídricos e as terras agrícolas em um país já vulnerável pela escassez de chuvas e pelas mudanças climáticas.
Os especialistas e o Greenpeace destacaram como a alteração das precipitações afeta a flora e desestabiliza os solos de cultivo. Em áreas áridas, o acúmulo de substâncias tóxicas nos aquíferos compromete a segurança alimentar a longo prazo.
Além disso, a dispersão de gases derivados da queima de hidrocarbonetos provoca severas crises respiratórias nas grandes cidades. A geografia montanhosa de cidades como Teerã piora a situação, retendo nuvens densas de fumaça que afetam principalmente pessoas vulneráveis.
O fenômeno da chuva ácida no Irã está estreitamente vinculado aos ataques militares sobre as infraestruturas de energia do país. Greenpeace explica que o petróleo armazenado nas refinarias contém quantidades significativas de enxofre, que são eliminadas durante o refino.
No entanto, ao serem bombardeadas essas instalações, grandes quantidades de óxidos de enxofre e nitrogênio são liberadas, que ao reagirem com a água nas nuvens formam ácidos responsáveis pelas precipitações ácidas.
Esse tipo de precipitações, com um pH muito mais baixo que o normal, pode danificar severamente a flora, as culturas e a vegetação, acumulando-se também em solos e corpos de água, especialmente em regiões com poucas chuvas.
Chuva ácida no Irã
A degradação ambiental resultante desses conflitos bélicos pode ter um impacto duradouro na produção alimentar e na economia local, alertam os especialistas.
A poluição atmosférica derivada desses ataques representa também um risco significativo para a saúde pública. Os óxidos de enxofre e nitrogênio provocam problemas respiratórios e cardiovasculares, afetando especialmente pessoas idosas, crianças e aqueles com condições preexistentes.
O pesquisador Eoghan Darbyshire do Observatório de Conflito e Meio Ambiente adverte que a localização de Teerã, cercada por montanhas, facilita o acúmulo de fumaça perigosa, criando uma crise sanitária silenciosa.
Os impactos ambientais das guerras modernas, como se evidencia no caso iraniano, vão além dos danos militares imediatos, comprometendo a biodiversidade e o clima regional. As ofensivas contra instalações energéticas liberam rapidamente grandes quantidades de poluentes e emissões de carbono.
Greenpeace sublinha a necessidade de aumentar a proteção de infraestruturas energéticas e ambientais em contextos de conflito, dado que os efeitos da chuva ácida e outros poluentes podem durar décadas.



