O Movimento B celebra 20 anos consolidando um modelo empresarial que trabalha para beneficiar todas as pessoas e o planeta. O que começou em 2006 com 81 empresas pioneiras hoje é uma força global: mais de 10.800 empresas em 104 países que empregam mais de um milhão de pessoas.
Na Argentina há 294 Empresas B, que pertencem a 30 setores e indústrias, são originárias de 16 territórios do país, geram mais de 45.800 postos de trabalho formais e, entre todas, faturam mais de US$ 5.700 milhões anuais. As Empresas B têm um propósito além da rentabilidade e assumem o compromisso legal de beneficiar não apenas os acionistas, mas também as comunidades e o planeta. Assim, dão um novo sentido ao sucesso empresarial.
A Argentina é atualmente o décimo país do mundo e o segundo da América Latina com maior quantidade de Empresas B. Além disso, em 2025 foi o território da região onde mais empresas aplicaram para a certificação e este ano se incorporaram à comunidade 23 novas Empresas B.
“A Argentina tem uma grande oportunidade, com um cenário de maior previsibilidade econômica e segurança jurídica para implementar projetos de desenvolvimento a longo prazo. Mas para que esses negócios sejam verdadeiramente sustentáveis no tempo, é necessário integrar a rentabilidade com o impacto social e ambiental no centro das decisões”, disse Fernanda Mierez, Cofundadora e Copresidente do Sistema B Argentina e sócia do escritório Beccar Varela.
Essa visão chegou à América Latina e começou a se expandir pelo mundo em 2012 pelas mãos de quatro empresários latino-americanos. “Graças ao Movimento B hoje esses temas são parte da conversa pública, fala-se mais sobre o papel de as empresas para resolver problemas sociais e ambientais desde o mercado e em grande escala”, expressou Pedro Tarak, empresário argentino e um dos cofundadores do Sistema B. “A grande contribuição da América Latina tem sido nosso enfoque sistêmico. As empresas não estão sozinhas, são parte de um ecossistema. Cada vez mais pessoas, de diferentes áreas de influência, trabalham para a transição econômica”, acrescentou.
Duas décadas demonstrando que outra forma de fazer empresa é possível
Nestes 20 anos, as Empresas B demonstraram que o setor privado pode abordar os desafios mais urgentes da sociedade sem renunciar a um crescimento sustentável a longo prazo:
- Segundo o estudo “A natureza do negócio” de B Lab, se todas as empresas gerissem seu impacto ambiental como fazem atualmente as Empresas B, o aumento da temperatura mundial poderia ser reduzido em 0,5 °C até 2100.
- Também demonstraram uma maior resiliência em contextos de incerteza: 95% das Empresas B superaram a crise do COVID-19, frente a 88% das empresas tradicionais.
“Nós começamos por convicção. Ser Empresa B estava totalmente alinhado ao ‘para quê’ fazíamos o que fazíamos”, explicou Déborah Sabsay, cofundadora da Lucenza, que se tornou a primeira Empresa B Certificada de Mar del Plata em 2014. “Mas hoje, além disso, escolhemos continuar porque nos torna mais competitivos em todos os sentidos: com a comunidade, os clientes e os colaboradores”, acrescentou.
“A empresa é um ator catalisador de mudanças, positivas ou negativas. Ser parte do design de soluções que impulsionem mudanças positivas é, em última análise, nosso propósito”, disse Irene Berardo, sócia e diretora da Fixit, Empresa B Certificada desde 2019 e atualmente a mais antiga da província de Santa Fe. “O valor da Comunidade de Empresas B é encontrar coesão na heterogeneidade. É como um campo de futebol aberto 24/7: você pode ir jogar a partida que quiser com pessoas que te asseguram certa qualidade de jogo. Há uma base compartilhada de crenças e formas de fazer negócios”, acrescentou.
O crescimento do Movimento B pode ser dividido em quatro fases:
- Da ideia à infraestrutura (2006–2011): a Avaliação de Impacto B codificou os princípios da Declaração de Interdependência que assumem as Empresas B ao certificar; os primeiros adotantes os colocaram em prática e o estado de Maryland (EUA) os converteu em lei através da legislação de Sociedades de Benefício em 2010.
- De um país ao alcance global (2011–2016): com a criação do Sistema B na América Latina, o movimento começou a se expandir pelo mundo, chegando a 37 países. Natura Cosméticos se tornou a primeira Empresa B que cotiza na bolsa, demonstrando que o modelo podia se adaptar a diferentes culturas, sistemas legais e economias.
- Do nicho à necessidade (2016–2021): no final da década de 2010, as Empresas B já operavam em 70 países. Após o COVID-19, as solicitações aumentaram um 38%, com líderes que buscavam estabilidade e comunidade em meio à incerteza. Foi alcançado o número de 100 Empresas B na Argentina.
- Da consolidação à influência sistêmica (2021–2026): à medida que as crises ambientais e sociais se aprofundaram, o modelo cresceu de forma exponencial: em 2022 havia 5.000 Empresas B no mundo e em 2025 foram superadas as 10.000, comportamento que se refletiu nos números da América Latina e Argentina. Companhias como Nespresso e Danone se tornaram Empresas B a nível global. Na Argentina, certificaram empresas como Logística La Serenísima, La Anónima, Urbano Express e McCain.
“O mundo precisa de empresas e marcas épicas que se comprometam com sua essência, seu propósito e seu impacto, para transformar a realidade”, disse Guillermo Schulmeier, Cofundador e Diretor da Emprendia, a primeira Empresa B do país, certificada em 2012. “Isso cada vez faz mais sentido para mais pessoas. Há muitos empresários que quando chegam ao Movimento B se sentem em seu lugar”.
Em diferentes lugares do mundo, o movimento também impulsionou transformações nos marcos legais. Atualmente, 54 jurisdições já adotaram normativas de Governança de Partes Interessadas. Países como Colômbia, Equador, Panamá, Peru, Uruguai, Itália, Espanha e França lideram essa transição com a lei BIC (Sociedades de Benefício e Interesse Coletivo).





