Um carvalho que se manteve de pé desde a Idade do Gelo conseguiu um alívio crucial. Em Jurupa Valley, no sul da Califórnia, um acordo assegurou a proteção de quase 55 acres ao redor do Jurupa Oak, um exemplar de Quercus palmeri, considerado o carvalho vivo mais antigo do planeta.
Proteção oficial para o carvalho mais antigo do mundo
Embora o projeto urbanístico Rio Vista não vá parar completamente, as zonas de construção serão afastadas para salvaguardar esta valiosa árvore. A nova área protegida se expandirá de 137 a 305 metros ao redor do Jurupa Oak, uma diferença crucial em seu ecossistema seco.
Contrário à imagem típica de um carvalho imponente, o Jurupa Oak é mais uma estrutura baixa e extensa. Um estudo na PLOS ONE determinou que este carvalho é na verdade um clone único, com mais de 13.000 anos de antiguidade, formado por caules que são parte do mesmo organismo.
A pesquisa utilizou métodos genéticos e de crescimento para concluir sua idade, já que não havia madeira antiga suficiente para uma análise de radiocarbono.
O acordo protege permanentemente 54,7 acres ao redor do carvalho e oferece a possibilidade de que grupos ambientais e tribos nativas comprem outros 54,3 acres, estendendo assim a conservação.
Além disso, foi planejado um corredor ecológico que conectará esta área protegida com mais de 350 acres já conservados, proporcionando um habitat contínuo para a fauna e a flora locais.
O desenvolvimento do projeto Rio Vista, que abrange cerca de 918 acres com planos de construir 1.700 residências, um parque empresarial, uma escola e mais, tem sido objeto de preocupação devido à sua proximidade ao Jurupa Oak.
Organizações conservacionistas argumentavam que a construção poderia alterar o equilíbrio de água subterrânea e afetar negativamente o entorno do carvalho, especialmente em um ambiente tão seco.
Em 2024, o Center for Biological Diversity, junto a outras organizações, processaram a cidade de Jurupa Valley, afirmando que os estudos de impacto ambiental não haviam avaliado adequadamente os riscos.
Finalmente, o acordo alcançado levou os grupos ambientais a retirarem suas objeções em troca de uma proteção mais ampla do carvalho.
Este carvalho milenar também tem um valor cultural significativo para a Gabrieleño Band of Mission Indians, Kizh Nation. A cidade já havia destinado o terreno à preservação permanente, concedendo 500 acres à Kizh Nation como administradora.
A proteção desta árvore não é apenas um triunfo botânico, mas também uma vitória cultural, reconhecendo sua importância histórica e simbólica.
O caso do Jurupa Oak demonstra que o desenvolvimento urbano nem sempre deve implicar a destruição de tesouros naturais. A vigilância será fundamental para assegurar que as medidas de proteção sejam cumpridas, mas a lição é clara: o crescimento deve ser considerado e respeitoso com o entorno natural.



