Cientistas alertam sobre aumento de 1,39°C nas temperaturas globais e corte de fundos para monitoramento climático

Um consórcio de mais de 70 cientistas de renome internacional emitiu um severo alerta sobre o aumento do aquecimento global com temperaturas recordes e a deterioração dos principais indicadores ambientais. Segundo um estudo publicado recentemente em Earth System Science Data, as temperaturas globais atingiram um aumento de 1,39°C acima dos níveis pré-industriais para o ano de 2025.

Preocupação com as temperaturas recordes e a redução de fundos

O relatório detalha que este aumento é quase totalmente atribuível a atividades humanas, com 1,37°C de aumento devido a estas causas. Os especialistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU alertam que o aquecimento global induzido pelo homem pode atingir o limiar crítico de 1,5°C até 2030.

A situação se agrava com a ameaça de um super El Niño, que se espera causar um aquecimento oceânico extremo para 2026. Os especialistas manifestam sua profunda preocupação diante da redução de fundos que afeta a capacidade global para monitorar a mudança climática.

Peter Thorne, professor na Universidade de Maynooth, diz que os atuais indicadores ambientais são comparáveis às constantes vitais de um paciente que mostra sinais alarmantes. A rede de monitoramento global está entrando em um estado de degradação ativa pela primeira vez.

Além disso, o relatório destaca o agravamento do desequilíbrio energético da Terra, um indicador da diferença entre a energia que entra e a que sai do planeta. Piers Forster, professor da Universidade de Leeds, aponta que esse desequilíbrio atingiu um máximo histórico, dobrando desde os anos 70.

As emissões de gases de efeito estufa continuam aumentando, enquanto a redução de aerossóis, que antes resfriavam a atmosfera, deixa o planeta mais exposto. Embora o ritmo de crescimento dessas emissões mostre sinais de desaceleração, o dióxido de carbono continua em níveis recordes, com o orçamento de carbono para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C potencialmente se esgotando em três anos.

A situação se complica ainda mais com as políticas de corte orçamentário implementadas pela administração de Donald Trump, que ameaçam as medições satelitais e oceânicas futuras. Essas decisões levaram à retirada de vários instrumentos críticos de monitoramento em águas profundas.

A falta de fundos é um problema global que afeta vários organismos, incluindo a Organização Meteorológica Mundial, que também enfrenta severas ameaças financeiras. Observa-se uma preocupante redução das medições em locais chave como África e América do Sul.

Os efeitos do aquecimento global são evidentes no aumento do nível do mar, que subiu 23 centímetros de 1901 até 2025, com uma taxa acelerada de 3,84 mm anuais. Além disso, as ondas de calor marinhas triplicaram desde 1991, atingindo uma média de 65 dias em 2025, afetando gravemente a biodiversidade aquática.

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