As inundações na Argentina foram parcialmente atribuídas às mudanças climáticas.

A mudança climática desempenhou um papel significativo nos eventos extremos que provocaram uma devastadora inundação em Bahía Blanca, Argentina, em 7 de março.

Com chuvas que dobraram a média anual, pelo menos 16 pessoas morreram e duas meninas permanecem desaparecidas. Mais de mil residentes foram evacuados devido aos danos severos, estimados em mais de 400 milhões de dólares.

Influência da mudança climática nas inundações

Segundo um relatório do World Weather Attribution, o calor extremo que precedeu a inundação “teria sido praticamente impossível sem a mudança climática”.

Juan Rivera, pesquisador do Instituto Argentino de Nivologia, Glaciologia e Ciências Ambientais e parte do relatório, destacou que a mudança climática favorece condições quentes e úmidas que, em combinação com frentes frias, geram inundações mais severas.

Em relação ao evento em si que afetou Bahía Blanca, sabe-se que uma colisão de massas de ar quente e frio desencadeou precipitações maciças de 300 mm em oito horas.

Os sistemas de drenagem, como o canal Maldonado e o arroio Napostá, foram insuficientes para lidar com a quantidade de água. A isso se somou um fator no solo: a terra nessa área já estava saturada de água devido a outra chuva intensa que havia caído na semana anterior. A capacidade de infiltração foi reduzida ao mínimo.

Eventos anteriores e repercussões

Bahía Blanca já havia enfrentado fenômenos extremos em dezembro de 2023, com ventos de mais de 150 km/h, refletindo um padrão ligado ao aquecimento global.

A ONU confirmou que entre 2023-2024 o aumento da temperatura global ultrapassou 1,5 °C em comparação com a era pré-industrial, exacerbando os riscos climáticos.

Este evento ressalta a necessidade de adaptar a infraestrutura urbana e mitigar os impactos da mudança climática em regiões vulneráveis como Bahía Blanca.

Foto da capa: EFE/ Pablo Presti

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