Com a chegada da primavera, o céu de Santa Fe enche-se de voos frenéticos e livres. São as andorinhas migratórias, viajantes incansáveis que percorrem mais de 8.000 quilômetros desde regiões quentes do norte continental, enfrentando ventos, chuvas e tempestades.
Muitas não conseguem completar a travessia, mas milhares alcançam estas pampas, que para elas são território de refúgio e reprodução.
Por que escolhem Santa Fe?
Ambientes ribeirinhos, calor e abundante alimento tornam a cidade um santuário temporário.
O frio é o principal inimigo destas aves. Em Santa Fe, encontram temperaturas amenas, vegetação ribeirinha e uma fonte inesgotável de alimento: insetos voadores, como mosquitos, alguacis e libélulas.
Segundo explicou o especialista em aves Pablo Capovilla ao portal El Litoral, “é impossível que passem fome na capital dos mosquitos”.
Diversidade de espécies e estratégias de nidificação
Três espécies principais chegam para se reproduzir, enquanto outras visitam sem nidificar.
As andorinhas que nidificam em Santa Fe são:
- Andorinha-doméstica (Progne chalybea): peito branco, asas negras, nidifica em buracos artificiais
- Andorinha-preta (Progne elegans): de plumagem escura, também nidificante
- Andorinha-parda (Progne tapera): utiliza ninhos abandonados de joão-de-barro
Além disso, são observadas outras espécies como a andorinha-de-sobrancelha, presente o ano todo, e a andorinha-patagônica, que chega no inverno buscando temperaturas mais amenas.
Também são registradas espécies menores e difíceis de ver, como o <strong-rabadilla-canela, o escondidinho e o tesourinha, que não nidificam mas visitam a cidade na primavera-verão.

Ingeniosidade e adaptação urbana
As andorinhas aproveitam estruturas humanas para criar seus filhotes.
Desde tubos de arcos de futebol até torres de salva-vidas no Parque do Sul, as andorinhas demonstram uma notável capacidade de adaptação.
“O aluguel é grátis, só precisam cuidar bem de seus filhotes”, brinca Capovilla. A competição pelos buracos é intensa, e a nidificação marca o início de um ciclo vital que culmina com a migração de volta em março ou abril.
Recomendações para a convivência e conservação
Observar, respeitar e oferecer espaços seguros para nidificar.
Capovilla recomenda:
- Observar e desfrutar de sua presença
- Não remover ninhos de joão-de-barro, que podem estar ocupados por andorinhas
- Construir caixas ou tubos ninho com canos em pátios ou varandas
- Entender seu papel ecológico como controladores naturais de insetos
Encontro de Observadores de Aves: um convite para olhar o céu
De 3 a 5 de outubro será realizado o Terceiro Encontro na Laguna El Cristal, Calchaquí.
Apoiado pelo Ministério de Ambiente e Mudanças Climáticas de Santa Fe, o evento reunirá observadores e especialistas para explorar novos ambientes e compartilhar experiências. “Todos estão convidados”, conclui Capovilla.
Contatos no Instagram: @pablo.h.capovilla @coachororo, @coacalandriarafaela; @aves_de_malabrigo.



