A recente relocação da elefanta africana Kenya para o Santuário de Elefantes do Brasil representa um momento histórico para a Argentina, uma vez que, com sua partida, não há mais elefantes em cativeiro no país. Apesar desse avanço, ainda permanecem exemplares de espécies exóticas no Ecoparque de Mendoza.
Embora não haja planos imediatos de transferência internacional, foi iniciada uma revisão abrangente de sua situação para definir novas estratégias.
No local ainda estão alojados zebras, antílopes, cervicapras, camelos, primatas e veados, com uma população próxima a 500 indivíduos. Os planos atuais incluem adoções responsáveis para casos específicos — sob protocolos rigorosos — e a melhoria dos espaços de alojamento para otimizar as condições de vida em cativeiro.
“A maioria dessas espécies não está comprometida em termos de conservação. No entanto, estão sendo avaliadas opções para relocalização ou busca de ambientes mais adequados”, detalhou Ignacio Haudet, chefe de Biodiversidade e Ecoparque de Mendoza, em entrevista ao portal Los Andes.
Reorganização de recintos e estratégia de adoção para espécies exóticas
Do total de 1.120 animais que permanecem no Ecoparque, cerca de 500 pertencem a espécies não nativas do ambiente local. O termo “exótico” refere-se a animais que não pertencem ao ecossistema natural da região, nem apresentam similaridades ambientais com ele.
Entre eles, os veados representam o grupo mais numeroso, com mais de 200 exemplares, divididos entre veados brancos (88), veados pintados (73), veados-vermelhos (40) e veados-axis (11). Este último é conhecido por ter inspirado o personagem Bambi da Disney.
No caso dos veados pintados e vermelhos, nos quais machos e fêmeas ainda compartilham espaços, estão sendo realizados procedimentos como vasectomias e orquiectomias para evitar a reprodução em cativeiro.
“Estamos fortalecendo os programas de adoção responsável, garantindo que as transferências sejam feitas com animais esterilizados e em ambientes seguros, excluídos de reservas de caça, para evitar a formação de populações invasoras”, explicou Haudet.
Entre as espécies mais destacadas, embora não sejam as mais numerosas, estão 12 zebras, 16 camelos, 20 antílopes cervicapras e 16 antílopes eland, que também foram separados por sexo em recintos diferentes para interromper sua reprodução.

Em relação às zebras e camelos —que não fazem parte dos planos de adoção atuais por diversos fatores— o foco está em adequar suas instalações dentro do Ecoparque.
Segundo o diretor, planeja-se reutilizar o antigo recinto de Kenya, criando duas áreas distintas: uma para camelos e outra para zebras, com a possibilidade de incluir um setor destinado a um centro de reabilitação de condores.
Este espaço será equipado com infraestrutura tipo tubing, mantendo-o funcional e aberto para novas espécies com necessidades específicas.
Além dos exemplares permanentes, o Ecoparque recebe regularmente animais exóticos resgatados de operações contra o tráfico ilegal de fauna. Estes permanecem no local de forma transitória, até serem encaminhados para santuários ou reservas com o objetivo de sua reintegração ao ambiente natural.



