Bem-estar animal na Espanha: Málaga põe fim aos passeios turísticos em carros puxados por cavalos

Desde o passado 6 de outubro, a Prefeitura de Málaga (Espanha) revogou as licenças que permitiam os tradicionais passeios turísticos em carros puxados por cavalos pela cidade.

A decisão, defendida como um passo em favor do bem-estar e a segurança dos animais, marca o fim de uma prática que durante décadas fez parte da paisagem urbana malaguenha.

O destino dos cavalos retirados

A maioria dos equinos que trabalhavam nesta atividade foi transferida para associações e santuários que buscam proporcionar-lhes uma vida melhor. Um deles é ‘Guitarra’, um cavalo de 26 anos que desde os 8 passeava turistas pelas ruas de Málaga.

Com problemas nas articulações e sinais de desgaste físico, chegou ao santuário de Antequera sob os cuidados da associação A Better Life 4 Horses, liderada pela ex-cavaleira Signe Fröslee, que já resgatou 16 cavalos de um destino mais trágico.

“Estava manco e tinha outros problemas também. Ninguém vai comprar um cavalo assim. A única opção era o matadouro”, relatou Fröslee.

O resgate e os cuidados representaram um investimento de 25.000 euros, já que muitos desses animais nunca haviam recebido atenção veterinária e carregavam feridas ou rotinas de trabalho extenuantes.

carros impulsados por caballos
Málaga põe fim aos carros puxados por cavalos.

Condições de trabalho e maus-tratos

Os cavalos costumavam viver entre carruagens e estábulos, com espaços insuficientes e jornadas longas sob o sol. Alguns estavam acostumados a beber água apenas duas vezes por dia e apresentavam feridas não cicatrizadas ou sinais de desnutrição.

“Chegava assim porque os donos nem queriam gastar cinco euros em uma cabeçada”, denunciou Fröslee, em referência à falta de investimento em equipamento básico.

Embora alguns animais tenham recebido um tratamento mais adequado, outros precisam recuperar sua confiança no ser humano após anos de exploração.

Razões para eliminar os passeios em carros puxados por cavalos

A medida da Prefeitura se fundamenta em reconhecer que os cavalos são seres sencientes e que seu uso para entretenimento turístico não é compatível com um modelo moderno de turismo responsável.

Entre as principais razões destacam-se:

  • Risco de sobrecarga: montados por pessoas sem experiência ou com excesso de peso.
  • Lesões e feridas: provocadas pelo equipamento e pela carga de trabalho.
  • Falta de atenção veterinária: que resulta em claudicações e problemas crônicos.
  • Estresse e desidratação: por calor e falta de água ou sombra.
  • Negação de comportamentos naturais: como a socialização, gerando ansiedade.
  • Desnutrição: alimentação incorreta ou insuficiente.

Rumo a um turismo mais ético

A decisão de Málaga abre o debate sobre alternativas turísticas que não impliquem o uso de animais. Entre elas destacam-se:

  • Turismo responsável, centrado em experiências culturais e ambientais.
  • Enriquecimento ambiental, garantindo que os cavalos vivam em ambientes que fomentem seus comportamentos naturais.
  • Socialização, assegurando que possam conviver com outros de sua espécie, dado que são animais gregários.

Uma aposentadoria em paz para os cavalos

Hoje, associações como A Better Life 4 Horses trabalham para que os cavalos retirados desfrutem de uma “aposentadoria” tranquila e digna, longe dos maus-tratos e da exploração.

A medida de Málaga se torna um precedente na Espanha e reforça a ideia de que o turismo do futuro deve priorizar o respeito pelos animais e a sustentabilidade.

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