China rejeita carne bovina argentina por cloranfenicol: investigação e crise no consumo interno

Em 19 de março, a Administração Geral de Alfândegas da China suspendeu um carregamento de 22 toneladas de carne bovina proveniente do frigorífico ArreBeef, em Pérez Millán (Buenos Aires), após detectar a presença de cloranfenicol, um antibiótico proibido na produção pecuária argentina desde 1995 por seus riscos para a saúde humana.

A medida gerou preocupação na cadeia agroexportadora e ativou imediatamente canais diplomáticos e técnicos entre ambos os países.

Investigação em andamento

O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa), junto com o Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria de Agricultura, iniciou um protocolo de rastreabilidade para reconstruir o percurso do lote questionado, com capacidade de identificar inclusive o estabelecimento onde os animais foram criados.

As hipóteses iniciais apontam para:

  • Um possível falso positivo.
  • A presença de compostos similares ao cloranfenicol.
  • Uma eventual contaminação cruzada.

Desde a empresa, qualificaram o episódio como “estranho” e sugeriram que o produto poderia ter sido até mesmo “plantado”, embora tenham reconhecido dúvidas sobre o ocorrido.

Medidas preventivas

A China suspendeu novos envios da planta de Buenos Aires, enquanto o Governo argentino busca limitar o alcance da decisão para evitar que a restrição se estenda a outros embarques em trânsito.

O conselheiro agrícola em Pequim, Hernán Viola, solicitou mais informações técnicas para rastrear com precisão a origem do incidente e esclarecer inconsistências.

carne bovina
O consumo de carne bovina na Argentina está em queda.

Contexto do consumo interno de carne bovina

A controvérsia ocorre em um momento crítico para a indústria de carne argentina:

  • O consumo de carne caiu para o nível mais baixo em 20 anos, com uma média de 47,3 quilos/ano per capita.
  • Em março de 2026, o abate alcançou 1,029 milhões de cabeças em 340 estabelecimentos, um dos níveis mais baixos das últimas décadas.
  • A queda interanual foi de 10%, explicada pelo deterioro do salário e o aumento dos preços.

Segundo a Câmara da Indústria e Comércio de Carnes (CICCRA), a menor oferta de gado responde à combinação de secas (2022-2024) e inundações (2025), o que elevou o preço do animal em pé ao nível mais alto em 15 anos.

Mudanças no abate

  • Em março, foram sacrificados menos machos e mais fêmeas, elevando sua participação para 47,8% do abate total.
  • No primeiro trimestre de 2026, foram abatidos 2,973 milhões de bovinos, 7,6% menos que no mesmo período de 2025.
  • O abate de fêmeas alcançou 1,418 milhões, representando 47,7% do total, um índice que compromete a sustentabilidade do rebanho.

A rejeição da carne argentina na China pela presença de um antibiótico proibido expõe vulnerabilidades na cadeia agroexportadora e ocorre em um contexto de crise interna do setor. Enquanto se investiga se foi um falso positivo ou contaminação cruzada, o episódio reforça a necessidade de fortalecer controles sanitários e rastreabilidade para preservar a reputação internacional da carne argentina.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

O aquecimento global altera a cooperação e competição dos macacos-prego-de-cara-branca na Costa Rica

O aquecimento global está perturbando o equilíbrio social dos...

Golfinho rosa do Amazonas: seu pescoço flexível e sonar de 101,2 kHz permitem caçar na floresta inundada

O golfinho rosa do Amazônia, conhecido cientificamente como Inia...

Pumas da Patagônia caçam salmões Chinook invasores de mais de 1,5 metros, documenta estudo científico inovador

Em uma descoberta sem precedentes, cientistas documentaram pumas na...