O projeto de mineração Dominga voltou a acender os alarmes no Chile após a queixa apresentada pelo Greenpeace por supostos crimes de corrupção e revelação de informações confidenciais. A organização ecologista acusou a Andes Iron, a empresa responsável pelo projeto, de realizar pagamentos milionários a um escritório de advocacia cujos sócios estão envolvidos em um escândalo de corrupção judicial sem precedentes no país.
Este desenvolvimento judicial reativou o debate sobre o futuro de Dominga, um projeto de mineração e portuário que ameaça o habitat do pinguim de Humboldt, uma espécie vulnerável e símbolo da biodiversidade chilena. Segundo o Greenpeace, a confiança nas instituições ambientais e judiciais chilenas está em jogo, especialmente quando o governo de José Antonio Kast promove a redução de regulamentações para favorecer investimentos estratégicos.
O escândalo denominado “Muñeca Bielorrusa” abalou o sistema judicial chileno ao revelar possíveis irregularidades ligadas ao projeto Dominga. A ex-magistrada Ángela Vivanco foi afastada de seu cargo enquanto se investiga sua suposta implicação em favores judiciais e pagamentos ilegais por parte de advogados influentes.
Greenpeace apresentou sua queixa criminal no Sétimo Tribunal de Garantia de Santiago, baseada em uma investigação que descobriu pagamentos de mais de 255 milhões de pesos ao escritório Lagos, Vargas & Silber, cujos sócios estão em prisão preventiva. A organização busca esclarecer se houve atos ilícitos para favorecer a mineradora no sistema judicial.
Dominga ameaça provocar um impacto irreversível no ecossistema marinho chileno, especialmente no arquipélago de Humboldt, lar de espécies protegidas. A possível afetação ao pinguim de Humboldt pelo aumento do tráfego marítimo e as alterações do habitat são algumas das preocupações mais urgentes.
Risco para o Pinguim
Apesar das críticas, os defensores do projeto argumentam que trará investimentos significativos e emprego, impulsionando a economia em regiões dependentes da mineração. Com a chegada de José Antonio Kast ao poder, as possibilidades de reativar o projeto cresceram, pois o presidente se manifestou a favor de eliminar barreiras regulatórias.
O governo anterior de Gabriel Boric havia bloqueado o projeto devido aos seus riscos ambientais. No entanto, o atual governo mostra uma postura mais favorável ao seu desenvolvimento. Kast criticou a “excessiva permissologia” ambiental, apontando que impede investimentos vitais para o crescimento econômico do Chile.
A ação judicial do Greenpeace busca recuperar a confiança nas instituições chilenas e garantir um processo transparente em relação ao projeto Dominga. A organização insiste que proteger o arquipélago de Humboldt é crucial para a conservação da biodiversidade do país.
O conflito em torno de Dominga reflete a tensão entre desenvolvimento econômico, proteção ambiental e confiança institucional que muitas nações enfrentam. A controvérsia não só destaca o choque entre interesses econômicos e conservação, mas também põe à prova a credibilidade democrática no Chile.



