A Direção de Flora e Fauna do Ministério de Desenvolvimento Agrário da província de Buenos Aires anunciou, por meio da Disposição N.º 60-GDEBA-DFYFMDAGP, a abertura da temporada de caça comercial da lebre europeia (Lepus europaeus) para o ano de 2025.
A normativa, publicada no Boletim Oficial, estabelece que a atividade poderá ser realizada entre 7 de junho e 5 de agosto, com um limite máximo autorizado de 750.000 exemplares. Ao atingir esse número, a atividade será suspensa automaticamente.
Contexto legal e características da espécie
A lebre europeia é uma espécie exótica invasora, introduzida no país, e classificada como suscetível de caça comercial conforme o Decreto N.º 279/18, devido ao seu impacto negativo sobre ecossistemas nativos e cultivos agropecuários.
A caça para fins lucrativos é regulada pela Lei N.º 15.477, pelo Decreto Lei N.º 10.081/83 e disposições complementares.
Críticas e preocupações ambientais pela caça da lebre europeia
Diversas organizações e especialistas expressaram objeções à medida:
- Impacto ambiental: apesar de invasora, a caça em massa pode alterar o ecossistema e afetar espécies nativas.
- Bem-estar animal: questionam os métodos de caça empregados, por provocarem sofrimento desnecessário.
- Regulação deficiente: alertam que a fiscalização é escassa, o que pode resultar em superexploração e desordem.
- Caça furtiva e mercado ilegal: têm sido denunciadas práticas não autorizadas e comercialização sem controles.
- Interesses econômicos: critica-se que a medida favoreça interesses lucrativos sem abordar critérios de sustentabilidade ou bem-estar animal.
Conflitos com o setor agropecuário
A expansão populacional das lebres tem gerado conflitos com produtores, que denunciam danos às colheitas.
No entanto, muitos pedem maior controle estatal sobre a caça e alternativas que não impliquem impactos colaterais negativos.
Propostas alternativas e soluções sustentáveis
Entre as alternativas sugeridas por especialistas e ONGs, destacam-se:
- Regulação mais rigorosa: estabelecer limites claros em zonas autorizadas, métodos e volumes de captura.
- Reforço dos controles: combater a caça furtiva e o tráfico ilegal.
- Educação e conscientização: promover o conhecimento sobre o equilíbrio da fauna e sua conservação.
- Pesquisa científica: estudar o impacto ecológico da caça para definir políticas públicas baseadas em evidências.
Entre o controle de espécies invasoras e o debate ambiental
A abertura da caça comercial da lebre europeia em Buenos Aires volta a colocar no centro do debate a tensão entre controle de espécies invasoras, interesses econômicos e proteção ambiental.
A necessidade de uma regulação equilibrada, com fiscalização eficaz e abordagem ecossistêmica, é fundamental para preservar a biodiversidade e evitar que essa medida se torne um novo foco de conflito ambiental.
Entre Ríos: ONGs demandam a inconstitucionalidade da Lei de caça de aves autóctonas
A problemática da caça não se limita à província de Buenos Aires, pois no caso de Entre Ríos, seis organizações socioambientais apresentaram uma ação judicial solicitando a inconstitucionalidade da Lei Provincial de Caça Nº 4.841, que permite a matança de fauna nativa.
Além de exigir a revisão do quadro regulatório da caça anual, o pedido visa diretamente o artigo 7º, que autoriza a participação de menores de idade na atividade cinegética.
Essa ação judicial não é a primeira contra a normativa vigente, uma vez que nos anos de 2022 e 2023, a justiça entrerriana declarou inconstitucionais resoluções anteriores que permitiam a matança de aves autóctonas.



