O Bioparque de La Plata concretizou com sucesso a liberação de três aves de rapina autóctones: um coruja-orelhuda (Asio clamator), um corujão (Megascops choliba) e um chimango (Milvago chimango).
Os exemplares haviam sido resgatados por vizinhos em diferentes pontos da cidade e entregues ao local para receber atenção veterinária e reabilitação.
Processos de recuperação
Cada ave passou por um protocolo específico:
- Coruja-orelhuda: entrou em dezembro de 2025 em bom estado geral, embora com uma lesão em uma unha. Recebeu atenção clínica e acompanhamento sanitário.
- Corujão: chegou com desidratação e sensório deprimido, com prognóstico reservado. Requereu alimentação assistida e monitoramento constante até alcançar uma recuperação progressiva.
- Chimango: entrou em janeiro de 2026 com bom estado geral, 200 gramas de peso e plumagem em desenvolvimento. Foi submetido a avaliação sanitária integral e fortalecimento progressivo.
Após completar reabilitação, avaliação comportamental e confirmação de aptidões para a vida em liberdade, os três exemplares foram liberados em um ambiente adequado.
Trabalho interdisciplinar
A liberação foi possível graças ao trabalho conjunto do Serviço Veterinário, a área de Comportamento Animal e a equipe de cuidadores do Bioparque. A instituição reafirmou seu compromisso com a conservação da fauna autóctone e a melhoria contínua no manejo de animais sob cuidado humano.

Importância ecológica das aves de rapina
As aves de rapina cumprem um papel chave no equilíbrio ambiental:
- Controladores biológicos: regulam populações de roedores, pombos e insetos, reduzindo a necessidade de venenos químicos.
- Indicadores ambientais: ao situar-se no topo da cadeia alimentar, refletem a qualidade do ecossistema.
- Biodiversidade urbana: espécies como gaviões e carcarás se adaptaram à cidade de Buenos Aires, integrando-se à fauna local.
- Conservação de espécies ameaçadas: programas como o PCRAR (Programa de Conservação e Resgate de Aves de Rapina) trabalham na reabilitação de espécies em perigo, como a águia-coroada, e na luta contra o tráfico ilegal.
Educação e conscientização cidadã
O resgate inicial dessas aves foi possível graças à colaboração de vizinhos, o que demonstra a importância da participação comunitária na conservação. Cada ação cidadã, como avisar as autoridades diante da presença de fauna silvestre em risco, contribui para preservar a biodiversidade e fortalecer a relação entre as pessoas e seu entorno natural.
Além disso, a liberação de rapinas se torna uma oportunidade educativa para sensibilizar sobre o valor dessas espécies e a necessidade de proteger seus habitats frente a ameaças como a perda de áreas naturais, o tráfico ilegal e a poluição.
A liberação dessas três aves de rapina em La Plata é um exemplo de como a colaboração entre cidadãos e profissionais pode contribuir para a conservação da biodiversidade. Proteger essas espécies significa preservar o equilíbrio natural e garantir que cumpram sua função ecológica em ambientes rurais e urbanos.



