Seis organizações socioambientais de Entre Ríos apresentaram uma ação judicial solicitando a inconstitucionalidade da Lei Provincial de Caça Nº 4.841, que permite a matança de fauna nativa.
Além de exigir a revisão do quadro regulador da caça anual, o pedido visa diretamente o artigo 7º, que autoriza a participação de menores de idade na atividade cinegética.
Violação de direitos e tratados internacionais
A reclamação argumenta que esta disposição viola os direitos das crianças e adolescentes, protegidos por múltiplos tratados internacionais.
“Esta norma contradiz acordos de proteção ambiental e de direitos humanos, incluindo a Convenção sobre Diversidade Biológica e o Acordo de Escazú”, explicou Gabriel Bonomi, representante do Centro para o Estudo e Defesa de Aves Silvestres (Ceydas).
A ação foi assinada por Conciencia Animal (Concordia), Ayuda Animal (Concepción del Uruguay), Ecoguay (Gualeguay), Arroyo Perucho Salvaje (San José) e Luz del Ibirá (Concordia).
Antecedentes e luta contra a lei de caça
Esta ação judicial não é a primeira contra a normativa vigente, já que nos anos de 2022 e 2023, a justiça entrerriana declarou inconstitucionais resoluções anteriores que permitiam a matança de aves autóctones.
Em maio de 2025, o Governo de Rogelio Frigerio autorizou a caça de quatro espécies de patos, perdizes e lebres, por meio da resolução Nº 714/25 da Direção de Recursos Naturais e Fiscalização.
A diferença em relação aos protestos anteriores é que desta vez o alvo é a Lei base, com o objetivo de que a justiça proíba a caça de aves nativas na província de forma definitiva.
Medida cautelar e reconhecimento de aves silvestres como seres sensíveis
No documento, os demandantes solicitaram uma medida cautelar inovadora que suspenda imediatamente a temporada de caça menor enquanto o processo judicial é resolvido.
Além disso, exigem o reconhecimento das aves autóctones como Sujeitos de Direitos e Seres Sensíveis, o que representaria um avanço significativo no quadro legal de proteção animal.
Argumentos jurídicos e expectativas da sentença
O recurso foi apresentado em 30 de maio perante a Sala Contencioso Administrativo de Paraná.
“Não se trata de um recurso de amparo a uma resolução pontual, mas de um questionamento global à matança de fauna nativa. Queremos que a caça de aves autóctones seja declarada inconstitucional, pois está se sacrificando biodiversidade para alimentar um negócio que aniquila nossa população de anatídeos”, afirmou Bonomi.
Também é exigida a inconstitucionalidade do artigo 7º, que permite a caça a menores de idade, considerando que viola direitos fundamentais protegidos por tratados internacionais.
Reações e apoio da comunidade ambiental
A demanda se baseia em precedentes judiciais que estabeleceram que a autorização de caça viola normativas internacionais como:
- Acordo de Escazú.
- Convenção de Bonn.
- Convenção sobre Diversidade Biológica.
- Convenção Ramsar.
Este novo protesto marca um precedente histórico, que poderia consolidar proteções definitivas para a biodiversidade de Entre Ríos, defendendo o patrimônio natural da província.
Uma batalha legal chave para a conservação
“Entre Ríos avançou em matéria de direito animal, mas a autorização de caça é um retrocesso enorme”, declarou Cecilia Domínguez, representante legal de Ceydas.
A decisão judicial poderia mudar o panorama legislativo, estabelecendo novos precedentes na proteção da fauna silvestre, e limitando atividades cinegéticas prejudiciais para o ecossistema.
As organizações ambientais aguardam uma resposta favorável, que garanta a conservação das espécies autóctones, e reafirme o compromisso da província com a defesa da biodiversidade.



