Propõem criar um registro nacional de pessoas condenadas por maus-tratos a animais na Argentina

A deputada nacional Silvana Giudici (Pro) apresentou um projeto de lei que propõe a criação do Registro Nacional de Pessoas que Cometem Atos de Maus-tratos e/ou Crueldade contra os Animais, no âmbito da Lei 14.346, que penaliza os maus-tratos aos animais na Argentina.

O objetivo do registro é centralizar as informações sobre pessoas condenadas por crimes de maus-tratos aos animais, impedindo-as de ter, adotar ou trabalhar com animais. A plataforma será de acesso público e permitirá a qualquer cidadão consultar antecedentes, desde que se identifique com nome completo e DNI.

“A violência contra os animais não pode ser considerada um fato menor”, afirmou Giudici, que destacou a necessidade de ferramentas eficazes para proteger os animais e prevenir reincidências.

Obrigação de consulta para adoções e transferências

O projeto estabelece que todas as pessoas, abrigos ou organizações que entreguem, adotem ou transfiram animais deverão consultar obrigatoriamente o registro. Se a pessoa constar no banco de dados, não poderá ter a posse nem o cuidado de animais.

Além disso, prevê-se a emissão de certificados oficiais por parte do Ministério da Justiça, através do Registro Nacional de Reincidência, e a elaboração de relatórios estatísticos anuais sobre os casos registrados.

Reconhecimento jurídico e avanços nos direitos dos animais

A proposta se insere em uma tendência crescente de reconhecimento jurídico dos animais como sujeitos de direito, respaldada por decisões históricas como o habeas corpus à orangotango Sandra (2014) e ao chimpanzé Cecília (2016).

maltrato animal
Um avanço contra os maus-tratos aos animais na Argentina.

Maus-tratos aos animais: um problema ético, social e ambiental

A luta contra os maus-tratos aos animais é fundamental para:

  • Prevenir a violência social: Estudos demonstram que existe uma correlação entre os maus-tratos aos animais e a violência contra pessoas, especialmente em contextos de violência familiar.
  • Fomentar a empatia e o respeito: A proteção animal promove valores éticos que fortalecem o tecido social.
  • Proteger o ambiente: Os maus-tratos aos animais podem implicar danos ambientais, como a destruição de habitats ou a contaminação.

Fortalecer a lei e a consciência cidadã

Embora a Lei 14.346 penalize os maus-tratos, as denúncias continuam a aumentar, o que evidencia a necessidade de:

  • Maior aplicação da lei e campanhas de conscientização
  • Participação cidadã ativa, mediante denúncias ao 911 ou em promotorias
  • Reformas legislativas, como o projeto “Lei Conan”, que busca endurecer as penas por maus-tratos aos animais

O registro proposto por Giudici representa um passo concreto em direção a uma política pública de prevenção, justiça e proteção animal, alinhada com os princípios de bem-estar, sustentabilidade e responsabilidade social.

Sua implementação poderia marcar um antes e um depois na forma como a Argentina aborda a violência contra os animais e seu vínculo com outras formas de violência estrutural.

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