Proteção de espécies: identificadas novas áreas-chave para a conservação de tubarões no Atlântico Sul Ocidental.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) apresentou uma atualização de seu Atlas de Áreas Importantes para Tubarões e Raias (ISRA), incorporando pela primeira vez o Oceano Atlântico Sudoeste.

Graças à colaboração de mais de 190 especialistas internacionais, foram identificadas 81 áreas ISRA, dois candidatas e 25 Áreas de Interesse, com base em critérios biológicos e ecológicos.

Áreas-chave para conservação na Argentina

Diversas instituições, como WCS Argentina, a Administração de Parques Nacionais e a Comissão de Pesquisas Científicas da Universidade Provincial do Sudoeste (CIC-UPS), contribuíram com informações científicas para definir três áreas no país:

  • Mar del Plata-Mar Chiquita
  • El Rincón-Patagônia Norte
  • Península San Julián

Essas áreas abrigam espécies ameaçadas como os tubarões cação, galhudo, bacota, cação-anjo, jaguar, além da arraia marrom e do peixe-anjo-espinhoso.

Pressão da pesca e risco de extinção

Os tubarões, raias e quimeras fazem parte do grupo de condrictes, peixes que possuem esqueleto cartilaginoso em vez de osso.

Eles são o grupo de vertebrados marinhos mais ameaçado do mundo, devido à pescaria intensiva, que os explora para consumo de carne, sopa de barbatana e óleo.

Seu crescimento lento e baixa fecundidade impedem a recuperação das populações, o que coloca em risco sua sobrevivência. No Mar Argentino, existem 105 espécies de condrictes, das quais 55 são tubarões, e muitas delas estão em perigo de extinção.

A contribuição da ciência cidadã na conservação

Desde 2013, a WCS Argentina lidera o programa de ciência cidadã “Conservar Tubarões na Argentina”, em colaboração com o Museu de Ciências Naturais de La Plata e o Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia.

Este programa promove práticas de conservação através de:

  • Pesca com marcação e libertação, em vez de pesca com morte.
  • Coleta de dados sobre espécies capturadas e libertadas.
  • Monitoramento populacional, com mais de 3.300 tubarões marcados e 30 recapturados.

Áreas críticas para tubarões em Buenos Aires

A Argentina definiu mais de 20 áreas-chave, incluindo Mar del Plata-Mar Chiquita e El Rincón-Patagônia Norte, duas regiões fundamentais para a sobrevivência de tubarões.

Mar del Plata-Mar Chiquita (559,7 km²), habitat do galhudo, cuja população diminuiu mais de 80% nas últimas sete décadas, e está classificado como Criticamente Ameaçado pela UICN.

El Rincón-Patagônia Norte (13.966 km²), lar do cação-anjo, também Criticamente Ameaçado, com exploração comercial sobrecarregada desde 2024, segundo o INIDEP.

Uma iniciativa chave para a conservação marinha

O trabalho de especialistas e pescadores reforça a proteção de espécies marinhas, fornecendo dados cruciais para avançar em regulamentações nacionais e internacionais que garantam a sobrevivência dos tubarões no Atlântico Sudoeste.

A ciência cidadã e a gestão sustentável são essenciais para preservar a biodiversidade oceânica, garantindo o equilíbrio dos ecossistemas marinhos a longo prazo.

Foto de capa: Julie Larsen Maher

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