Protestos contra o uso de pele animal se intensificam na Semana da Moda de Milão: as reivindicações

Os protestos contra o uso da pele animal na moda voltaram a marcar o segundo dia da Semana da Moda de Milão.

Ativistas de toda a Europa se concentraram em frente à apresentação da Fendi para exigir à Camera Nazionale della Moda Italiana (CNMI) uma política formal livre de pele animal.

A manifestação foi a quinta desde que começou a Semana da Moda, em 24 de fevereiro. A Coalizão para Abolir o Comércio de Peles (CAFT) lançou esta campanha global em 8 de janeiro e os ativistas sustentam que os protestos continuarão de forma diária.

Protestos pelo uso de pele animal na Semana da Moda de Milão

Os protestos contra o uso de pele animal já tiveram resultados concretos

No mês passado, a CNMI perdeu dois parceiros estratégicos. Trata-se da Wella e DHL, que abandonaram após a pressão ativista sustentada, que incluiu protestos em frente aos domicílios de seus executivos.

Fendi, propriedade do conglomerado de luxo francês LVMH, é atualmente a única marca do conselho da CNMI que ainda utiliza pele animal em suas coleções.

Em 23 de fevereiro, ativistas interromperam um painel sobre sustentabilidade e moda na Universidade Bocconi de Milão, onde falava Carlo Capasa, presidente da CNMI. Lá, eles exibiram uma faixa com a legenda “pele animal = morte” e questionaram publicamente sua postura. Capasa respondeu chamando-os de “mentirosos” e “violentos”.

Alberto Bianchi, porta-voz do protesto, rejeitou essa caracterização: “Protestar contra a decisão de Capasa de apoiar a indústria de peles não é violência”.

E acrescentou: “Violência é o que ocorre dentro das fazendas de peles animais, onde os animais são eletrocutados, gaseados ou têm seus pescoços quebrados para que sua pele desfile como luxo em uma passarela”.

Protestos pelo uso de pele animal na Semana da Moda de Milão
Protestos pelo uso de pele animal na Semana da Moda de Milão

Uma mudança que a Itália não segue

Suzie Stork, diretora executiva da CAFT, apontou que Milão se isola do consenso global.

A indústria avançou. Os consumidores avançaram”, considerou. E acrescentou: “O único que mantém viva a pele animal nas passarelas de Milão é a falta de vontade de sua liderança para agir”.

No último ano, várias instituições e marcas anunciaram o fim definitivo do uso e promoção de peles animais após campanhas da CAFT:

  • Condé Nast
  • Hearst Magazines
  • Rick Owens
  • New York Fashion Week

Os protestos contra pele também apontam para um contexto regulatório em transformação. Mais de 20 países europeus, incluindo a Itália, já proibiram a criação de animais para pele.

Em março, a Comissão Europeia deverá responder formalmente à Iniciativa Cidadã Europeia “Fur Free Europe”. Para isso, foram reunidas mais de 1,5 milhões de assinaturas.

A produção de peles está documentada como uma prática que gera sofrimento severo a milhões de animais, dano ambiental significativo e riscos para a saúde pública.

Os ativistas advertiram que os protestos contra pele continuarão e se intensificarão até que a CNMI adote uma proibição formal. Nova York, Londres e a maioria dos designers já seguiram esse caminho. Milão, por enquanto, resiste.

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