Nos tribunais de Rawson iniciou-se a audiência preliminar contra um vizinho acusado pelo envenenamento e morte de três cães no bairro La Isla.
A juíza penal Laura Martini deverá decidir se o caso será levado a julgamento oral e público, em um processo que tem captado a atenção social e jurídica da província.
Uma mudança de paradigma na justiça patagônica
O caso reflete a crescente sensibilidade social em relação aos direitos dos animais e o endurecimento das fiscalias ambientais frente aos maus-tratos a animais. Na Patagônia, os órgãos judiciais têm aumentado o rigor nas investigações territoriais, marcando uma mudança doutrinária na perseguição penal desses delitos.
Os fatos investigados
- O acusado, identificado como C. R., teria jogado uma fileira de linguiças envenenadas no terreno de um vizinho.
- O episódio ocorreu em 1 de março de 2025, após as 21h30, na rua Tamariscos do bairro La Isla.
- Como consequência, morreram duas fêmeas e um macho, propriedade de Alan Martini.
- Câmeras de segurança registraram o acusado lançando elementos em direção ao terreno, o que complica sua situação processual.
Intervenção da fiscalia ambiental
A investigação esteve a cargo da fiscal geral Florencia Gómez, chefe da Unidade Fiscal Especializada em Meio Ambiente e Delitos Contra Animais. Este organismo tem liderado procedimentos no Vale Inferior do Rio Chubut para sancionar agressões contra fauna urbana e silvestre.
O querelante Romano Cominetti, representante da família prejudicada, aderiu à teoria do caso da fiscalia e apresentou novas provas e testemunhos.

Estratégias de defesa e acusação
- Fiscalia e querelante: solicitam penas de 4 anos de prisão (fiscal) e 5 anos e 3 meses (querelante).
- Defesa: o advogado Pablo Sánchez pediu o arquivamento do acusado, alegando uma desvinculação total do caso.
- Juíza Martini: deverá decidir se os requisitos para levar o caso a julgamento oral e público são cumpridos.
Impacto jurídico e social
A resolução será crucial porque as escalas penais solicitadas não contemplam alternativas e visam ao cumprimento efetivo na prisão. Se confirmada a elevação a julgamento, o processo marcará um marco na jurisprudência de Chubut em relação a delitos de maus-tratos a animais, com atenção especial de fóruns acadêmicos e organizações de proteção.
O caso de Rawson não expõe apenas a tragédia de três cães envenenados, mas também reflete a transformação do sistema judicial patagônico frente aos maus-tratos a animais.
A decisão da juíza Laura Martini poderia estabelecer um precedente histórico na região, consolidando a proteção penal dos animais como parte essencial da justiça ambiental e social.



