O drone de Maximiliano Cartes Salas registrou pela primeira vez um grupo de Gasterochisma melampus, conhecidos como “atum argentino”, nadando vivos perto da costa de Las Grutas, no Golfo San Matías. Até agora, os avistamentos se limitavam a exemplares encalhados e sem vida nas praias.
“Estamos acostumados a vê-los mortos na areia. Capturá-los vivos, fortes e patrulhando nossas costas é um documento visual histórico”, compartilhou Cartes Salas em suas redes.
Uma espécie pouco conhecida
O biólogo marinho Raúl González, pesquisador da Universidade Nacional do Comahue e do CONICET, estuda esta espécie há quase 40 anos. Ele esclarece em diálogo com o portal Río Negro que, embora seja chamado de “atum argentino”, na verdade está mais relacionado com as cavalas do que com os atuns. Internacionalmente é conhecido como “butterfly mackerel”, devido às longas barbatanas dos juvenis que parecem asas.
Sua distribuição é circumpolar no hemisfério sul, e no Atlântico sudoeste sua presença é escassa. A maioria dos dados provém de capturas de frotas japonesas no Pacífico, em frente ao Chile.
Mistério no Golfo San Matías
Desde 1988, González registrou entre 30 e 40 encalhes na área de Las Grutas e San Antonio Oeste, geralmente de um ou dois exemplares por ano. O novo vídeo esclarece dúvidas: trata-se de pequenos grupos que ocasionalmente se aproximam da costa.
A hipótese é que migram para áreas reprodutivas no Pacífico, guiados por linhas magnéticas, e que nesse trajeto alguns acabam entrando no golfo. A sazonalidade indica aparições entre abril e agosto, com picos em maio e junho.
Características dos exemplares
- Tamanho: entre 80 cm e 1,90 m.
- Peso: de 20 a 80 quilos.
- Alimentação: lulas, anchovas e espécies pelágicas.
- Fêmeas: em estado reprodutivo avançado, o que coincide com seu deslocamento para áreas de reprodução no Pacífico.
Importância científica
O registro visual confirma hipóteses construídas durante décadas e fornece material chave para publicações científicas. “Hoje em dia, nas revistas, ter imagens ou vídeos é muito importante, porque torna tudo mais potente”, destaca González.
Além disso, a descoberta reforça a necessidade de observações não invasivas, como a realizada por Cartes Salas, que destacou que manteve uma distância prudente e usou teleobjetiva para não alterar o comportamento dos animais.
Depois de quase 40 anos vendo-os apenas encalhados, a filmagem de atum argentino vivo em grupo marca um marco para a ciência marinha na Argentina. O Golfo San Matías se confirma como um cenário chave para compreender a migração e comportamento desta espécie enigmática, que continua surpreendendo pesquisadores e pescadores locais.
Vídeo do Instagram @maximilianofcartes.



