Em uma ação histórica para a conservação da biodiversidade, uma família de lontras gigantes foi reintroduzida no Grande Parque Iberá em Corrientes, Argentina.
Este acontecimento, ocorrido em 30 de junho de 2025, marca a primeira reintrodução de um mamífero localmente extinto no país, segundo informou a Rewilding Argentina.
Este esforço de reintrodução foi o resultado de um árduo trabalho conjunto entre diversas administrações, equipes de conservação e zoológicos europeus.
A reintrodução dessas lontras gigantes é um passo significativo em direção à restauração de um pântano crucial, o que pode ajudar a revitalizar um ecossistema que estava operando abaixo de sua capacidade natural.
Desde 1986 não se observava um grupo familiar de lontras gigantes na Argentina, já que a espécie foi levada à beira da extinção local pela caça e pela perda de seu habitat natural.
A nível mundial, a Pteronura brasiliensis está catalogada como “Em Perigo” na Lista Vermelha da UICN, devido a ameaças como a degradação da água e a fragmentação do habitat.
A família reintroduzida é composta por Nima, uma fêmea procedente do Zoo Aquarium de Madrid, Coco, um macho do zoológico de Givskud na Dinamarca, e suas duas crias nascidas em novembro de 2024 em Iberá, Pirú e Kyra.
Nima, nascida em março de 2020, é descrita como uma lontra tímida com os humanos, o que é vantajoso para sua reintegração na natureza, pois minimiza a interação com as pessoas e promove a autossuficiência.
Este projeto é parte do Programa Europeu de Espécies em Perigo (EEP), coordenado pela Associação Europeia de Zoos e Aquários (EAZA), que gerencia numerosos exemplares na Europa para assegurar a diversidade genética e planejar reintroduções estratégicas.
Reintrodução de lontras gigantes
O Grande Parque Iberá se destaca por suas 756.000 hectares de pântano protegido, que oferecem um habitat seguro e rico em presas. Inclui o Parque Provincial Iberá e o Parque Nacional Iberá, criados para preservar este inestimável ecossistema.
As lontras gigantes desempenham um papel ecológico vital como predadores aquáticos, principalmente consumindo peixes. Segundo Sebastián Di Martino, diretor de Conservação da Rewilding Argentina, sua presença é essencial para restaurar o equilíbrio do ecossistema.
O processo de reintrodução foi meticulosamente planejado desde 2017, incorporando protocolos de saúde, técnicas de transporte e treinamento em pesca com peixes vivos. As lontras passaram por um período de adaptação em recintos de pré-solta.
Com o apoio de tecnologia avançada, como o monitoramento através de arneses e análise de DNA ambiental, os cientistas podem observar e ajustar o processo de integração das lontras ao ambiente natural, assegurando sua sobrevivência e bem-estar.
Rewilding Argentina planeja continuar com mais liberações tanto em Iberá quanto no Chaco, buscando restabelecer a conectividade entre populações e assegurar o futuro desta espécie em perigo.



