Resgatam onça-pintada ferida em Manaus: quase morre afogada ao tentar escapar dos tiros de chumbo.

Agentes ambientais de Manaus, Brasil, protagonizaram um dramático resgate após encontrarem um jaguatirica exausta no rio Negro, onde esteve à beira do afogamento. O felino, visivelmente debilitado, foi assistido com uma boia e um gancho para chegar à margem, em uma cena que percorreu o mundo através das redes sociais.

Uma vez salvo, o animal foi levado a uma clínica veterinária, onde os especialistas descobriram uma descoberta alarmante: tinha cerca de 30 chumbos em seu corpo, principalmente na cabeça. As feridas indicavam que tinha sido vítima de caçadores, o que explicaria seu estado de desorientação e exaustão.

A jaguatirica, também conhecida como onça-pintada ou Panthera onca, é o maior felino do continente americano e um elo essencial na cadeia ecológica, pois regula as populações de herbívoros e mantém o equilíbrio dos ecossistemas.

Qual é o estado da jaguatirica ferida?

De acordo com os veterinários, o animal chegou com múltiplos ferimentos de bala, dentes fraturados e projéteis alojados no corpo, então a equipe veterinária iniciou um tratamento intensivo para estabilizá-lo, limpar as feridas e recuperar sua mobilidade.

O animal está vivo e em recuperação na cidade de Manaus. Após a cirurgia, foi constatado que se trata de um macho de 5 anos que tinha 30 chumbos na cabeça.

Embora sua evolução seja favorável, sua reintegração na natureza dependerá de sua capacidade de sobreviver sem assistência humana. Este caso voltou a colocar em debate o impacto da caça furtiva sobre uma das espécies mais emblemáticas da fauna sul-americana.

Uma espécie chave em risco de desaparecer

A jaguatirica habita desde México até o norte da Argentina, mas sua população foi drasticamente reduzida nas últimas décadas. A perda de habitat devido ao desmatamento, os conflitos com pecuaristas e a caça ilegal levaram à classificação de “Quase Ameaçado” a nível mundial pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), e “Em Perigo Crítico” em países como Argentina e Brasil.

Atualmente, estima-se que restem apenas cerca de 200 indivíduos em território argentino, concentrados principalmente nas selvas de Misiones e no norte do país. No Brasil, os esforços de conservação estão concentrados na Amazônia e no Pantanal, onde projetos de reflorestamento e corredores biológicos buscam reverter a fragmentação de seu habitat.

Os programas de monitoramento e resgate de fauna silvestre, como o que permitiu salvar este exemplar em Manaus, são essenciais para preservar a espécie. Cada indivíduo recuperado representa uma oportunidade para reforçar as populações naturais e manter a diversidade genética.

A jaguatirica ferida resgatada no Brasil de um ataque a chumbos. Foto: Captura de tela do vídeo - X/@CerfiaFR.
A jaguatirica ferida resgatada no Brasil de um ataque a chumbos. Foto: Captura de tela do vídeo – X/@CerfiaFR.

Leis, penas e a luta contra a caça furtiva

A legislação ambiental na América Latina prevê duras sanções para quem capturar, matar ou comercializar espécies protegidas como a jaguatirica. No Brasil, a Lei de Crimes Ambientais (Nº 9.605/1998) estabelece penas de até cinco anos de prisão e multas elevadas para os responsáveis pela caça ilegal ou maus-tratos à fauna silvestre.

Na Argentina, a espécie é protegida pela Lei Nacional Nº 22.421 de Conservação da Fauna, que considera crime penal a caça ou captura de animais em perigo de extinção. As penas podem chegar a quatro anos de prisão e multas que ultrapassam os cinco milhões de pesos, além da obrigação de reparar o dano ambiental causado.

Essas normas refletem o compromisso crescente dos países da região com a proteção de sua biodiversidade. No entanto, os especialistas alertam que a aplicação efetiva das leis ainda é um desafio, especialmente em áreas rurais e florestais onde a fiscalização é limitada.

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