No passado dia 13 de setembro, a guia de turismo Cristina Sartori, formada na Universidade Nacional de Misiones (UNaM), capturou um momento extraordinário: um onça-pintada (Panthera onca) a nadar no rio Iguaçu, debaixo da Queda d’água Rivadavia, no coração do Parque Nacional Iguazú.
O vídeo, com apenas cerca de 30 segundos, mostra o felino a caminhar entre as rochas e a lançar-se na água, acompanhado pelo rugido das quedas d’água e pelas exclamações dos turistas que testemunharam o acontecimento.
“Emoção total. Obrigada Deus por me permitir ver as tuas obras”, expressou Sartori na sua publicação original.
Pará: monitorização e presença em zonas de interface urbano-florestal
Dias antes da observação nas cataratas, foram registadas imagens de Pará, uma fêmea monitorizada pelo Instituto Misionero de Biodiversidad (IMiBio). O exemplar foi visto a rondar habitações na zona das 2.000 Hectáreas, onde a floresta limita com áreas urbanizadas.
Segundo Emanuel Grassi, diretor do IMiBio, Pará desloca-se entre o Parque Nacional Iguazú, o terreno militar e Puerto Península, e ocasionalmente adentra áreas habitadas, onde os cães podem tornar-se presas fáceis.
O onça-pintada: emblema natural em perigo crítico
Historicamente, o onça-pintada habitava desde o rio Colorado até as Yungas, o Gran Chaco e a Selva Paranaense. Hoje, a sua presença limita-se a três núcleos: a selva misionera, as yungas de Salta e Jujuy, e alguns setores do Chaco.
Na Corrientes, o programa de reintrodução nos Esteros del Iberá conseguiu devolver exemplares ao seu ambiente natural.
A espécie está classificada como “em perigo crítico” pela Administração de Parques Nacionales, devido à perda de habitat, à caça furtiva e à diminuição de presas naturais.
Proteção legal e ações conjuntas para a sua conservação
O regime de Monumento Natural Nacional garante a sua máxima proteção.
Desde 2001, o onça-pintada está protegido pela Lei 25.463, que o declara Monumento Natural Nacional, conferindo-lhe a máxima categoria de proteção.
Em Misiones, a província com maior densidade de exemplares, são articulados esforços entre o Estado provincial, Parques Nacionales, ONGs como Red Yaguareté e Fundación Vida Silvestre, e organismos internacionais como WWF.
Destacam-se iniciativas como:
- Corredores biológicos na Selva Paranaense
- Câmaras de armadilhas para monitorização populacional
- Participação comunitária na proteção do habitat
A conservação do onça-pintada não implica apenas proteger uma espécie carismática, mas salvaguardar todo o ecossistema do qual depende. “Cuidar do onça-pintada é garantir a saúde da floresta”, afirmam os especialistas, já que como superpredador regula populações de herbívoros e contribui para o equilíbrio da biodiversidade.



