Durante mais de um século, as girafas foram consideradas uma única espécie com nove subespécies, mas uma nova revisão taxonômica realizada pelo Grupo de Especialistas em Girafas e Okapis da UICN revelou que existem na verdade quatro espécies diferenciadas, o que permite redefinir estratégias de conservação mais precisas e eficazes.
As quatro espécies reconhecidas pela UICN
Um novo olhar sobre a diversidade genética e morfológica deste ícone africano
A classificação atual distingue as seguintes espécies:
- Girafa do norte (Giraffa camelopardalis)
- Girafa reticulada (Giraffa reticulata)
- Girafa Masai (Giraffa tippelskirchi)
- Girafa do sul (Giraffa giraffa)
Esta redefinição baseia-se em estudos genéticos recentes, que analisaram ADN nuclear e mitocondrial, além de características morfológicas, estruturas ósseas e barreiras geográficas como rios, zonas áridas e o vale do Rift, que isolaram populações ao longo de sua evolução.

Uma medida com impacto direto na conservação
Avaliações separadas permitirão identificar espécies em risco crítico.
A UICN destaca que tratar todas as girafas como uma única espécie diluía a gravidade das ameaças enfrentadas por populações específicas. Com esta nova classificação, será possível:
- Monitorar dinâmicas regionais diferenciadas
- Priorizar ações de conservação de acordo com o nível de risco
- Visibilizar o declínio de espécies com populações críticas
Populações em declínio: um declínio silencioso
Apesar de sua imagem icônica, as girafas sofreram uma diminuição de 40 % entre 1985 e 2015, alcançando apenas 98.000 indivíduos em todo o continente. A UICN adverte que:
- África oriental e central mostram os declínios mais sérios
- África austral apresenta aumentos moderados
- Sudão do Sul, RDC e Níger abrigam populações de girafa do norte em estado crítico
Subespécies e distribuição geográfica
Sete das nove subespécies iniciais mantêm-se sob três espécies principais.
A nova classificação conserva sete subespécies, agora distribuídas entre três espécies. Por exemplo:
- Girafa de Núbia: sob Giraffa camelopardalis
- Girafa angolana: sob Giraffa giraffa
Este ajuste taxonômico não apenas responde a critérios científicos, mas também redefine prioridades de conservação em função da distribuição geográfica e do estado populacional.
Um apelo urgente para proteger a diversidade das girafas
A reclasificação visibiliza ameaças antes ocultas e abre novas oportunidades de ação.
A UICN considera que esta atualização é fundamental para abordar o declínio silencioso das girafas, causado por:
- Perda de habitat
- Caça furtiva
- Conflitos armados e instabilidade política
Com essa nova perspectiva, será possível desenhar políticas mais específicas, fortalecer programas regionais e evitar a extinção de subespécies altamente vulneráveis.



