Censo Oceânico descobre mais de mil novas espécies marinhas em um ano: uma corrida contra o tempo e pela conservação

O programa internacional Ocean Census anunciou a descoberta de 1.121 novas espécies marinhas entre abril de 2025 e março de 2026, o que representa um aumento de 54% em relação ao ano anterior. Este feito faz parte de sua missão de identificar a maior parte da vida oceânica ainda desconhecida nos mares do planeta.

A megaexpedição incluiu 13 campanhas científicas em regiões pouco estudadas, com a participação de mais de 1.400 taxonomistas de 660 instituições em 85 países. Desde sua fundação em 2023, Ocean Census já documentou mais de 2.000 novas espécies.

Plataforma NOVA: acelerar a ciência

Historicamente, descrever formalmente uma espécie demorava cerca de 13,5 anos. Com a plataforma NOVA, desenvolvida por Ocean Census, esse processo pode ser concluído em semanas ou dias.

A rede conta com 1.500 cientistas ativos e 650 institutos marinhos colaboradores, o que permite avançar mais rapidamente na documentação e conservação.

Exemplos de novas espécies

Entre as descobertas mais notáveis estão:

  • Um tubarão fantasma (Chimaera) no Mar de Coral (Austrália), descrito por William White do CSIRO.
  • O verme simbionte Dalhousiella yabukii, encontrado a 791 metros no Japão por JAMSTEC.
  • Um verme fita da família Drepanophoridae em Timor-Leste, a apenas 5 metros de profundidade.
  • Um camarão do gênero Caridion em Marselha, França, a 15-35 metros.
  • A expedição mais profunda do ano alcançou os 6.575 metros.

Biodiversidade em risco

90% das espécies oceânicas ainda não foram descritas formalmente. Michelle Taylor, diretora científica do programa, alertou: “Estamos em uma corrida contra o tempo para entender e proteger a vida oceânica”. Muitas espécies podem desaparecer antes de serem documentadas.

A meta a longo prazo é descrever 100.000 novas espécies marinhas, em comparação com as pouco mais de 240.000 atualmente conhecidas.

novas espécies
O programa Ocean Census revelou 1.121 novas espécies, aumentando em 54% a descoberta no oceano.

Importância da exploração marinha

Os oceanos são vitais para a sobrevivência humana e o equilíbrio planetário:

  • Regulação do clima: absorvem calor e carbono, mitigando as mudanças climáticas.
  • Biodiversidade e medicina: organismos marinhos permitem desenvolver produtos biofarmacêuticos.
  • Alimentação e recursos: garantem a sustentabilidade das pescarias e fornecem minerais para a transição energética.
  • Inovação tecnológica: a exploração impulsiona avanços em robótica e inteligência artificial.
  • Geopolítica e soberania: cartografia de fronteiras marítimas e proteção contra exploração ilegal.

Argentina e a exploração oceânica

As águas profundas argentinas, como o Talude Continental e o Cânion de Mar del Plata, são focos frequentes de expedições científicas. Esses espaços representam oportunidades para descobrir novas espécies e reforçar a soberania científica do país no âmbito da Década do Oceano da ONU.

A descoberta de 1.121 novas espécies por Ocean Census reafirma a magnitude do desafio científico e ambiental que a humanidade enfrenta.

Documentar a vida marinha não só amplia o conhecimento, mas também fortalece a conservação e a inovação tecnológica em um contexto de crise climática global.

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