Ciência argentina destacada no mundo: a UNLP participou do relatório ambiental mais abrangente da ONU

Em outra destacada participação global da ciência argentina, a Universidade Nacional de La Plata (UNLP) integrou a equipe internacional que elaborou o relatório ambiental GEO-7 do Programa da ONU para o Meio Ambiente.

Em particular, destaca-se o trabalho da Dra. Sandra Torrusio, secretária de Pesquisa da Faculdade de Ciências Naturais e Museu da UNLP.

A profissional fez parte dos 287 cientistas de 82 países que trabalharam durante três anos nesta avaliação global ambiental.

O relatório denominado Global Environment Outlook: A Future We Choose revela uma escolha crucial para a humanidade.

Continuar por um caminho de degradação ou investir na saúde planetária para assegurar benefícios econômicos e sociais massivos.

Junto a Torrusio, participaram outras três cientistas argentinas:

  • A Dra. Karina Miglioranza da Universidade Nacional de Mar del Plata;
  • a Dra. Patricia Macagno da Universidade Nacional de Moreno, e;
  • a Dra. Leila Devia da Universidade Nacional de Buenos Aires.
UNLP informe ambiental ONU

Uma crise ambiental com custos milionários

O GEO-7 sublinha que a degradação ambiental já cobra milhões de vidas e custa bilhões de dólares anualmente.

A mudança climática, a perda de biodiversidade, a degradação da terra, a desertificação e a poluição impulsionam esta crise.

O custo econômico dos danos à saúde derivados da poluição do ar alcançou aproximadamente US$ 8,1 trilhões em 2019.

Este valor equivale a 6.1% do PIB global, segundo o documento.

Outro dado alarmante é que entre 20% e 40% da superfície terrestre mundial está degradada, uma situação que afeta mais de três bilhões de pessoas em todo o planeta.

Assim, o relatório conclui que, se continuar o modelo de “negócios sem mudanças”, o aumento da temperatura global provavelmente superará os 1.5°C no início da década de 2030.

Isso implicaria uma redução de 4% do PIB global para 2025 por efeito da mudança climática.

A contribuição da UNLP ao relatório ambiental da ONU

A contribuição da pesquisadora da UNLP se concentrou principalmente no último capítulo do relatório: “Driving the Transformations”.

Os conceitos de co-design junto à multiplicidade de atores para alcançar soluções sustentáveis permitiram chegar às principais mensagens finais.

“É necessária uma transformação para o planeta e seu povo, já não basta percorrer períodos de transição, é preciso transformar e a um ritmo acelerado”, aponta o documento.

Investir em um planeta saudável para diminuir a pobreza. Foto: ONU.

As recomendações incluem mudar barreiras em oportunidades e identificar em cada região agentes de mudança.

Também promover mudanças de comportamento desde o indivíduo até a sociedade e os governos.

Além de impulsionar acordos regionais e internacionais com objetivos ambientais, sociais e econômicos.

Soluções e benefícios projetados

O relatório apresenta dois caminhos de transformação baseados em mudanças de comportamento ou avanços tecnológicos.

As abordagens que envolvem toda a sociedade e o governo para transformar sistemas chave poderiam gerar benefícios macroeconômicos globais de US$ 20 trilhões por ano até 2070.

Entre os benefícios sociais projetados destacam-se:

  • Poderiam ser evitadas nove milhões de mortes prematuras até 2050 mediante a redução da poluição do ar
  • Quase 200 milhões de pessoas poderiam sair da desnutrição até 2050
  • Mais de 100 milhões de pessoas poderiam escapar da pobreza extrema até 2050

Para alcançar zero emissões líquidas até 2050 e assegurar fundos adequados para a conservação e restauração da biodiversidade, é necessário um investimento anual de aproximadamente US$ 8 trilhões até 2050.

O GEO-7 impulsiona transformações radicais em cinco áreas chave:

  1. economia e finanças;
  2. materiais e resíduos;
  3. energia; sistemas alimentares, e;
  4. meio ambiente.

O trabalho enfatiza que considerar diversos sistemas de conhecimento, incluindo o conhecimento local e indígena, é vital para alcançar transições justas que abordem o bem-estar humano e a sustentabilidade ambiental.

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