Os estudos biológicos no rio Paraná revelam um “empobrecimento” na diversidade de peixes e uma drástica queda na quantidade e no tamanho do sável.
Esta espécie é fundamental para o ecossistema, já que constitui a maior parte da biomassa e das exportações pesqueiras da Argentina.
A última vez que se reproduziu com sucesso foi entre 2015 e 2016. Especialistas solicitam medidas de proteção urgentes para evitar um “colapso“.
A combinação da vazante sustentada no rio Paraná e dos humedais, juntamente com a pesca comercial para exportação, está afetando severamente o sável, uma espécie chave para toda a biodiversidade do rio.
Investigações recentes mostram uma redução significativa no número de exemplares e em seu tamanho. Os investigadores qualificam esta situação como “insustentável” e exigem regulamentações antes que se alcance um “ponto de não retorno“.
A vazante histórica e suas consequências no rio Paraná
Espécies migratórias como o sável, o dourado e o surubim dependem das inundações no Delta para se reproduzir.
As condições ideais para seus ovos e larvas incluem temperaturas quentes, picos de enchente de até cinco metros e uma duração de pelo menos dois meses. Estas enchentes permitem que a água transborde e conecte áreas isoladas da bacia.
A última enchente bem-sucedida ocorreu na primavera de 2015 e o verão de 2016. Desde a vazante que começou em 2019 (com uma breve exceção no final de 2022), as condições mínimas necessárias para a reprodução não foram atendidas. Os relatórios técnicos refletem essa realidade.
De acordo com a Avaliação Biológica e Pesqueira de Espécies de Interesse (Ebipes), um organismo que inclui a Nação, as províncias e o CONICET, o último levantamento foi realizado com níveis de água extremamente baixos, os mais baixos em 20 anos de história do projeto.
No final de 2024, as capturas mostraram uma variedade de espécies “muito reduzida” em comparação com o ano anterior (30% a menos do que em 2023). A quantidade total de peixes capturados diminuiu 60%, e o peso reduziu até 70%. Embora o relatório de 2025 ainda não tenha sido publicado, foi confirmado que a tendência continua.
A pesquisadora do CONICET, Ana Pía Rabuffetti, explicou que a persistência da vazante gerou uma “década ou período seco” que compromete gravemente as populações de peixes, especialmente as migratórias, que dependem da flutuação do rio.
Este diagnóstico é compartilhado por pescadores e investigadores. O humedal está em “retrocesso“, o que significa menos locais de pesca, menos exemplares e menos trabalhadores no rio Paraná. Um antropólogo e um biólogo têm dedicado seus esforços a “mapear a ausência” de exemplares no rio Paraná nos últimos anos.
Dois estudos publicados em revistas internacionais pelo Laboratório de Hidroecologia do Instituto Nacional de Limnologia (Inali), onde trabalha Rabuffetti, documentam com gráficos a perda de conectividade da água superficial e a prolongada seca hidrológica.
Alguns especialistas falam de uma crise que poderia levar a um “colapso biológico” se não forem tomadas medidas. Rabuffetti, embora evite ser tão incisiva, alertou sobre a gravidade da situação e pediu “medidas preventivas” com políticas pesqueiras que considerem as mudanças climáticas para garantir a conservação.
Os últimos estudos e seus resultados alarmantes
O relatório biológico da Ebipes de outubro de 2024, que se concentra no vale de inundação, detalha os níveis de água “muito baixos” e resultados “muito reduzidos” em relação à variedade, quantidade, tamanho e peso dos peixes estudados.
Além da vazante que impede a reprodução, o relatório menciona que “eventos climáticos de muito baixas temperaturas” durante o inverno de 2024 poderiam ter provocado uma alta mortalidade de peixes na bacia baixa. A isso se somam predadores como dourados, surubins e aves icitiofágicas, que se aproveitam da redução do espaço aquático.
Um dado que acendeu o alerta dos especialistas foi a diferença entre os estudos de 2023 e 2024. Enquanto em 2023 a Ebipes capturou
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