Determinam que a Gripe Aviária se propaga pelo ar.

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Um recente estudo realizado na República Tcheca sugere que o vírus da gripe aviária H5N1, altamente contagioso, poderia ser transmitido pelo ar sob certas condições ambientais.

A pesquisa, realizada por veterinários do governo, analisou um surto em uma granja de frangos com rígidas medidas de biossegurança, onde o vírus conseguiu se propagar sem contato direto com animais infectados.

Surto em granja avícola e possível propagação aérea do vírus

O surto ocorreu em fevereiro de 2024 em uma granja avícola de alta segurança que contava com água de poço filtrada, ventilação unidirecional e cercas para impedir a entrada de aves selvagens. Apesar dessas medidas, o vírus se propagou dentro do criadouro, causando a morte de milhares de frangos.

Os veterinários rastrearam a origem do vírus e descobriram que ele vinha de uma granja de patos localizada a 8 quilômetros de distância, onde dias antes havia sido registrado um surto massivo. Em apenas dois dias, 5.000 patos morreram e, finalmente, todo o rebanho de 50.000 aves foi sacrificado para conter a infecção.

O vento como possível via de transmissão do vírus H5N1

A equipe liderada pelo Dr. Kamil Sedlak, diretor do Instituto Veterinário Estatal de Praga, descartou todas as vias tradicionais de transmissão e concluiu que a causa mais provável foi a propagação do vírus pelo vento.

Os pesquisadores analisaram dados meteorológicos e descobriram que, durante esses dias, as condições ideais para que o vírus viajasse pelo ar foram:

  • Ventos constantes de oeste a leste, exatamente na direção da granja de frangos.
  • Nuvens densas, que bloquearam a luz ultravioleta, a qual geralmente destrói vírus no ar.
  • Temperaturas entre 4 e 10 °C, ótimas para a sobrevivência do vírus.

Os primeiros frangos a morrer foram os localizados perto das grelhas de ventilação, sugerindo que o vírus entrou no criadouro pelo ar.

Expertos confirmam a possibilidade de transmissão aérea do vírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia considerado a possibilidade de transmissão aérea do vírus, embora prová-lo tenha sido um desafio. O Dr. Richard Webby, diretor do Centro Colaborador para a Ecologia da Influenza da OMS, explicou que embora a gripe aviária não infecte facilmente os humanos, a transmissão aérea poderia ser mais comum do que se pensa.

Por outro lado, o Dr. Michael Osterholm, diretor do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, mencionou que esse mecanismo de transmissão poderia explicar casos incomuns, como o de três veterinários que testaram positivo para anticorpos contra o H5N1 depois de participar de uma conferência, sem ter tido contato direto com aves infectadas.

Recomendações para evitar a propagação aérea do vírus

A Dra. Montserrat Torremorell, professora de Medicina Veterinária na Universidade de Minnesota, sugeriu que as granjas avícolas considerem melhorar seus sistemas de ventilação e adicionar filtros de ar nos estábulos para evitar a propagação do vírus.

Além disso, recomendou reforçar as medidas de proteção pessoal e restringir o acesso às granjas para reduzir a possibilidade de contágio.

Os achados deste estudo foram publicados no servidor de pré-impressão bioRxiv e ainda precisam ser revisados por pares para confirmar suas conclusões.

Gripe aviária na Antártida: primeiro caso confirmado em mamíferos marinhos

Uma equipe de pesquisadores espanhóis do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa (CBMSO-CSIC), vinculado ao Ministério da Ciência, Inovação e Universidades (MICIU), em colaboração com o projeto de pesquisa sobre a ecologia de pinguins antárticos PERPANTAR do Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN-CSIC), identificou o vírus da gripe aviária altamente patogênica no cadáver de um elefante marinho na Antártida.

Esta descoberta constitui o primeiro caso confirmado de infecção por gripe aviária altamente patogênica em mamíferos marinhos na Antártida, sugerindo a expansão da doença para outros grupos animais com consequências desconhecidas para a fauna e os ecossistemas antárticos.

Expansão do vírus no continente branco

A Espanha instalou um laboratório de diagnóstico molecular na Antártida após a morte em massa de diferentes espécies animais no sul da América do Sul.

A primeira evidência segura da expansão do vírus na Antártida foi comunicada no passado fevereiro, quando os cientistas espanhóis Antonio Alcamí e Ángela Vázquez detectaram a infecção em amostras de skúas (págalos) coletadas por cientistas argentinos perto da base antártica Primavera.

Foto da capa: Reuters/Amr Abdallah Dalsh

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