Estados Unidos: um estudo afirma que a fumaça dos incêndios florestais aumenta a poluição por ozônio

A fumaça dos incêndios florestais não é um problema que afeta apenas as regiões onde ocorrem e os habitantes locais. Uma nova pesquisa revelou que a fumaça agrava as concentrações de ozônio, como os óxidos nítricos (NOx), mesmo em locais com poucas fontes de emissão humana de poluentes.

Essa é a conclusão de um estudo liderado pela Universidade de Utah, que está focado no ozônio, uma molécula reativa de oxigênio O3. Essa molécula, associada aos incêndios florestais, é capaz de danificar os pulmões e outros tecidos sensíveis do corpo humano.

Por outro lado, a pesquisa sugere que mesmo eliminando todas as fontes de emissões humanas, os incêndios ainda têm a capacidade de produzir uma grande quantidade de ozônio. De acordo com o estudo publicado na revista Atmospheric Environment, a fumaça dos incêndios florestais representa uma dupla dose de poluição atmosférica.

Estima-se que a exposição à fumaça cause cerca de 6.300 mortes por ano nos Estados Unidos. Isso se complica ainda mais quando o ozônio não é liberado diretamente no ar, mas é formado na atmosfera, produto da combinação com outros poluentes, através de um processo fotoquímico que envolve a luz solar.

Incêndios florestais na Europa
Incêndios florestais na Europa

O óxido nítrico, um dos principais componentes

Segundo a pesquisa, os principais impulsionadores são os NOx e os compostos orgânicos voláteis (COV); os quais são um componente importante da fumaça dos incêndios florestais. Já o NOx está associado às emissões causadas pelos humanos, como os escapamentos dos veículos e as chaminés industriais.

O estudo concluiu que, em média, a presença de fumaça de incêndios florestais aumenta as concentrações de ozônio em 21 partes por milhão (ppm), o que representou um aumento aproximado de entre 20 e 30%, como consequência dessa fumaça.

No entanto, essa não é a única complicação da fumaça, pois ela também altera o clima, retarda a formação de ozônio e pode bloquear a luz solar, reduzindo a quantidade necessária e disponível para a fotoquímica do ozônio. Em resumo, sem as medidas necessárias, os incêndios florestais se tornam mais frequentes e graves com o aquecimento global.

incêndios florestais
incêndios florestais

Outras consequências da fumaça dos incêndios

A fumaça dos incêndios florestais libera grandes quantidades de dióxido de carbono, monóxido de carbono e partículas finas, contribuindo para as mudanças climáticas e deteriorando a qualidade do ar. Esses poluentes podem viajar centenas de quilômetros, afetando regiões distantes do foco do incêndio e alterando ecossistemas inteiros.

No meio ambiente, a fumaça interfere na fotossíntese ao bloquear a luz solar e depositar fuligem sobre folhas e corpos d’água. Isso pode reduzir o crescimento das plantas, alterar ciclos de nutrientes e afetar a fauna que depende desses recursos, causando desequilíbrios na biodiversidade.

Para a saúde humana, as partículas finas presentes na fumaça representam um risco sério, pois penetram profundamente nos pulmões e podem atingir a corrente sanguínea. A exposição prolongada aumenta o risco de doenças respiratórias, cardiovasculares e complicações em pessoas com condições crônicas, afetando especialmente crianças e idosos.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

Descobrem 30 bacias subglaciais em forma de leque a 3 km sob o gelo na Antártida Oriental

Em uma descoberta sem precedentes, uma equipe de cientistas...

Temperaturas recorde na Antártica: uma onda de calor excepcional com mais de 15°C a dias do início do inverno

A Antártica atravessa um episódio climático incomum para esta...