Hantavírus na Argentina: quais são os roedores silvestres que podem transmitir o vírus e onde habitam

Os hantavírus são um grupo de vírus que vivem em roedores selvagens e são transmitidos aos humanos sem que o animal portador adoeça. A via mais comum de contágio é a inalação de partículas virais presentes em fezes, urina e saliva dos roedores. Também pode ocorrer por mordidas, embora seja menos frequente.

A ameaça é global: a OMS confirmou recentemente um surto no cruzeiro MV Hondius, com três mortos e pelo menos sete casos, originado no Cone Sul pela cepa Andes, a única no mundo com transmissão pessoa a pessoa confirmada.

História do vírus

O nome vem do rio Hantaan na Coreia do Sul, onde soldados da ONU contraíram uma doença hemorrágica grave durante a Guerra da Coreia nos anos 50. O vírus foi identificado apenas em 1977 pelo doutor Ho Wang Lee.

Em 1993, um surto nos Estados Unidos revelou a variante americana “Sin Nombre”, que deu origem à Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, com mortalidades de até 50%. Na Argentina, os primeiros casos foram detectados em 1995 e o país continua sendo o que mais reporta na região, com uma mortalidade que alcançou 32% em 2025.

hantavirus
O hantavírus é transmitido através de roedores. 

Regiões endêmicas na Argentina

Até 2020, o Ministério da Saúde confirmou 1.982 casos distribuídos em quatro regiões endêmicas. A maioria se originou no contato com espécies de roedores selvagens que portam diferentes cepas do vírus.

Principais espécies e cepas:

  • Oligoryzomys longicaudatus (colilargo): porta o vírus Andes na zona andino-patagônica e o vírus Orán no noroeste.
  • Oligoryzomys chacoensis: reservatório do vírus Bermejo em ambientes áridos do noroeste.
  • Calomys callosus: porta o vírus Laguna Negra, com mortalidade baixa (1%).
  • Oligoryzomys flavescens: transmite os vírus Lechiguanas e Central Plata na região central, com mortalidade combinada de 30,8%.
  • Oligoryzomys nigripes: reservatório do vírus Juquitiba em Misiones e Corrientes, com mortalidade de 17,1%.
  • Oligoryzomys microtis: porta o vírus Río Mamoré, originário da Bolívia.
  • Akodon azarae: reservatório do vírus Pergamino, ainda não associado a doença humana.
  • Necromys benefactus: porta o vírus Maciel, sem casos humanos confirmados.

Prevenção e recomendações

Na ausência de vacina ou tratamento específico, a prevenção é a única ferramenta:

  • Manter as residências limpas e selar fendas maiores que 0,5 cm.
  • Armazenar a lenha a mais de 40 metros de casa.
  • Ventilar durante 30 minutos qualquer espaço fechado antes de entrar.
  • Lembrar que as partículas virais se inativam rapidamente com a luz solar, o que reforça a importância de arejar os ambientes.

Conhecer as espécies de roedores que transmitem o hantavírus na Argentina é crucial para reduzir o risco de contágio.

A informação científica disponível permite identificar as zonas endêmicas e aplicar medidas preventivas que protejam tanto as comunidades rurais quanto os viajantes que ingressam nesses ecossistemas.

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