Macacos-prego e o inesperado fenômeno do rapto de filhotes no Panamá, um comportamento estranho na ilha Jicarón

No Parque Nacional Coiba, localizado na ilha Jicarón, Panamá, uma descoberta surpreendeu a comunidade científica: macacos-prego roubando filhotes de bugios.

A descoberta, publicada na revista Current Biology, foi feita pela pesquisadora Zoë Goldsborough, que capturou em câmeras de armadilha a imagem de um macaco-prego carregando um bebê de outra espécie em suas costas.

O mais incomum é que esses casos normalmente ocorrem entre fêmeas, mas a evidência mostrou que os machos estavam por trás desse comportamento.

A influência do tédio nos macacos-prego

Após revisar meses de gravações, Goldsborough identificou que um macho, apelidado de Joker, havia carregado pelo menos quatro filhotes de bugio em momentos diferentes.

Tempos depois, outros quatro macacos-prego machos replicaram o comportamento, somando 11 novos filhotes ao fenômeno.

Os especialistas acreditam que, devido à ausência de predadores na ilha, à facilidade de encontrar alimentos e ao desenvolvimento de ferramentas rudimentares, os macacos-prego buscaram distração, adotando uma espécie de “animal de estimação”.

Uma tendência que pode afetar o ecossistema

Apesar da curiosidade científica, o fenômeno tem consequências trágicas para a população de bugios.

  • Os filhotes morrem em menos de 9 dias, pois não têm acesso a fêmeas lactantes.
  • O sofrimento dos filhotes e seus progenitores pode perturbar o equilíbrio da ilha.
  • Se a tendência persistir, a população de bugios pode diminuir drasticamente.

Uma moda passageira ou um novo padrão de comportamento?

Os pesquisadores ainda não sabem se o rapto de filhotes continua, mas alertam que, como acontece com outras modas no reino animal—como as orcas com chapéus de salmão ou os chimpanzés com palhas nas orelhas—sua evolução é imprevisível.

Pode desaparecer, ressurgir anos depois ou tornar-se uma prática mais comum.

“Esta descoberta nos lembra que o comportamento animal pode ser mais complexo do que imaginamos”— concluem os especialistas.

Foto da capa: Brendan Barrett / Instituto Max Planck de Comportamento Animal

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