O mundo à beira de uma nova pandemia: relatório internacional alerta para retrocessos na preparação e cooperação

A Junta de Vigilância da Preparação Mundial (GPMB) adverte que o planeta não está preparado para enfrentar uma nova pandemia.

O relatório intitulado “Um mundo à beira do abismo: prioridades para um futuro resiliente frente às pandemias” aponta que a desconfiança, a fragmentação geopolítica e a falta de investimento criaram um terreno fértil para que o próximo surto seja ainda mais devastador que o COVID-19.

Retrocessos na preparação global

  • Acesso desigual a vacinas e tratamentos: as doses contra o mpox demoraram quase dois anos para chegar a países de baixa renda, mais lento até mesmo que as vacinas contra o COVID-19.
  • Queda da ajuda ao desenvolvimento: os níveis atuais são os mais baixos desde 2009.
  • Fragmentação política: a polarização e os ataques a instituições científicas enfraqueceram a resiliência social.

Impactos além da saúde

O ebola e o COVID-19 não apenas afetaram a saúde pública, mas também corroeram a confiança nos governos, as liberdades civis e as normas democráticas.

As respostas politizadas deixaram sociedades mais vulneráveis para futuras emergências.

nova pandemia
A fragmentação política e a queda da ajuda ao desenvolvimento ameaçam nossa preparação diante de uma nova pandemia.

Prioridades urgentes

A Junta identifica três ações chave para os líderes mundiais:

  1. Monitoramento independente: estabelecer um sistema permanente para rastrear riscos de pandemias.
  2. Acesso equitativo: concluir o Acordo sobre Pandemias para garantir diagnósticos, vacinas e tratamentos universais.
  3. Financiamento sólido: assegurar recursos para preparação e resposta imediata ao “dia zero”.

Tecnologia e riscos

O relatório destaca o potencial da inteligência artificial para melhorar a preparação e monitorar ameaças, mas adverte que sem governança adequada poderia aumentar as lacunas de acesso e reduzir a segurança sanitária.

A inovação tecnológica, sem regulação, pode reproduzir desigualdades já vistas durante o COVID-19.

Contexto internacional

O documento foi apresentado às margens da 79ª Assembleia Mundial da Saúde, enquanto os governos negociam o acordo sobre pandemias da OMS e uma declaração política da ONU. A copresidente Kolinda Grabar-Kitarović sublinhou:

“O mundo não carece de soluções, mas sem confiança e equidade essas soluções não chegarão a quem mais precisa delas”.

Por sua vez, Joy Phumaphi, também copresidente da Junta, enfatizou que a preparação não é apenas um desafio técnico, mas um teste de liderança política.

A mensagem é clara: o tempo está se esgotando. A preparação frente a pandemias requer cooperação internacional, investimento sustentado e confiança social. Se os compromissos não se converterem em avanços mensuráveis, a próxima crise poderia ser pior que a anterior. O mundo está à beira, e a resiliência global depende de decisões políticas imediatas e efetivas.

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