O que a expedição Uruguai Sub200 deixou: de recifes de coral vulneráveis a mais de 30 espécies potencialmente novas

No dia 19 de setembro, a expedição Uruguai Sub200 chegou ao fim, uma viagem de exploração submarina que percorreu as profundezas do território marítimo uruguaio e transmitiu imagens em tempo real pelo YouTube.

A bordo do navio Falkor (Too), cientistas nacionais e internacionais revelaram paisagens desconhecidas, espécies nunca antes vistas e restos históricos, em uma missão financiada pelo Instituto Oceanográfico Schmidt.

Números que dimensionam o alcance do projeto

Mais de 60 quilômetros de fundo marinho explorados, 23 estações de amostragem e milhares de visualizações no YouTube.

  • 2.000 milhas percorridas
  • 23 pontos de amostragem entre 200 e 4.100 metros de profundidade
  • 400.000 visualizações na primeira transmissão ao vivo
  • 70 pessoas envolvidas, incluindo 36 cientistas de cinco países

“Encontramos uma abundância e qualidade de vida que nos surpreendeu a todos”, expressou Alvar Carranza, pesquisador da Udelar e um dos líderes da expedição.

Uruguai Sub200 O que a travessia Uruguai Sub 200 deixou: 200 horas no fundo do mar

Recifes de coral em águas profundas: uma descoberta inesperada

Foram identificados complexos recifais saudáveis, extensos e ricos em biodiversidade em frente às costas uruguaias.

Graças ao robô submarino ROV Subastian, a equipe descobriu campos de coral pétreo de águas frias, recentemente classificados como vulneráveis à extinção. Um dos maiores recifes estava a 300 metros de profundidade, com uma área de 1,3 km² e montes de até 40 metros de altura.

“A diversidade e complexidade superaram todas as nossas expectativas”, afirmou Carranza, que havia detectado indícios desses recifes em 2010 por meio de cartografia submarina.

Mais de 30 espécies novas e centenas de registros inéditos

Entre as descobertas da expedição Uruguai Sub200 estão esponjas, caracóis, crustáceos e espécies emblemáticas como o polvo dumbo e o calamar cristal.

A expedição permitiu identificar pelo menos 30 espécies potencialmente novas, além de centenas de exemplares nunca antes registrados em águas uruguaias, o que posiciona o país como um novo referencial em biodiversidade marinha profunda.

“Descobrir a vida marinha transforma nossa percepção do mundo”, destacou a Dra. Leticia Burone, sublinhando o valor da transmissão em tempo real para se conectar com a população.

Ciência, tecnologia e soberania oceânica

A expedição número 100 do Instituto Oceanográfico Schmidt marca um marco para o Uruguai.

“Ficamos honrados com a visita do presidente Yamandú Orsi ao navio antes de zarpar”, expressou a Dra. Jyotika Virmani, diretora executiva do instituto.

A missão reforça a importância de investir em exploração científica, fortalecer capacidades locais e proteger ecossistemas vulneráveis, em um contexto global de mudanças climáticas e perda de biodiversidade.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

Satélites da NASA documentam erupção vulcânica submarina no mar de Bismarck com imagens de alta definição

Em uma descoberta recente, os satélites da NASA documentaram...

Retrocesso da geleira Perito Moreno: 800 metros em 7 anos visível do espaço devido ao aquecimento global

O glaciar Perito Moreno, situado no Parque Nacional Los...

Galápagos fortalece a pesquisa na Reserva Marinha Hermandad para conservar 47.000 km² de biodiversidade oceânica

A Reserva Marinha Hermandad em Galápagos tornou-se um epicentro...