Os javalis alteram 7,95% do solo nas florestas checas em 2023

O impacto ambiental dos javalis nos solos florestais foi quantificado em um recente estudo realizado no sudeste da República Tcheca, dentro de uma região protegida pela rede Natura 2000. Esta análise revela como a atividade desses animais está alterando significativamente o solo de áreas com alto valor ecológico.

A pesquisa se concentrou em uma área próxima a Hodonín, abrangendo 976 hectares caracterizados por solos arenosos e carvalhais, considerados sensiveis à dessecação. Este local, designado como Sítio de Importância Comunitária e Monumento Natural Nacional, é um exemplo chave de como a fauna local pode influenciar na qualidade do habitat.

Durante o estudo, os pesquisadores percorreram a floresta com um método de amostragem intensiva, cobrindo 129,8 quilômetros de transectos e encontrando 3.899 áreas de solo removido por javalis entre 2022 e 2023. 10,93% do solo foi alterado em 2022, diminuindo para 7,95% em 2023, evidenciando um impacto que chama a atenção por sua magnitude.

Os javalis alteram os ecossistemas

O relevante do estudo é a mudança na densidade de javalis, que passou de 60 indivíduos por quilômetro quadrado em 2022 para 35 em 2023. Apesar dessa redução, o efeito por cada animal foi maior em 2023, com cada um alterando em média 2,21 hectares, comparado com 1,78 hectares no ano anterior.

Essa variação se atribui à disponibilidade de alimento, já que 2023 experimentou uma forte redução nas bolotas, após um 2022 com grande produção. Além disso, a alimentação suplementar com milho e cereais influencia na concentração de atividade dos javalis.

O estudo detalha como o revolvimento afeta o ecossistema do solo, dificultando a germinação de sementes e afetando processos ecológicos como o ciclo de nutrientes. Em solos arenosos, a ruptura da camada superficial pode deixar exposto o solo mineral, um risco especialmente alto em florestas vulneráveis à secura.

Como medidas de mitigação, o trabalho sugere ajustar a alimentação suplementar para evitar a concentração de atividade em solos frágeis e proteger áreas críticas com cercas temporárias. Também se enfatiza a importância de não alimentar a fauna e reportar qualquer alteração significativa do solo aos gestores da área.

O estudo completo foi publicado em Springer Nature, proporcionando uma importante referência para a gestão de áreas protegidas afetadas pela fauna.

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