Reaparecimento de espécies extintas: peixes emblemáticos retornam à Austrália e Índia após mais de oito décadas.

Em meio de um cenário global onde se estima que existam cerca de 34.000 espécies de peixes —em constante aumento—, o registro de extinções passadas também deixa espaço para pequenas vitórias. É o que demonstram dois recentes episódios ocorridos na Austrália e na Índia, onde espécies consideradas extintas foram reintroduzidas ou redescobertas com a participação ativa de cientistas e comunidades locais.

Austrália: o oliváceo volta a nadar nos pântanos de Victoria

Declarado oficialmente extinto em 1980, o oliváceo (Petrocephalus boettgeri) havia desaparecido dos pântanos de Victoria na primeira metade do século XX.

No entanto, após anos de esforços de conservação, 200 exemplares foram reintroduzidos em Cameron’s Creek, dentro do Parque Nacional Gunbower, marcando um marco para a ecologia australiana.

“Agora que sabemos que o oliváceo prospera em pântanos substitutos e temos uma população de apoio, podemos mirar em mais locais selvagens para liberações”, indicou Shenandoah Bruce, da Autoridade de Gestão de Bacias do Centro Norte.

A espécie não apenas desempenha um papel fundamental no equilíbrio ecológico dos pântanos, mas sua reintrodução ajuda a:

  • Reduzir o excesso de nitrogênio agrícola —causador de proliferação de algas—
  • Restaurar cadeias tróficas alteradas
  • Reforçar a identidade cultural de comunidades indígenas como os Tati Tati, que participaram ativamente do projeto

“Este retorno é tanto biológico quanto simbólico”, enfatizou Damien Cook, diretor do Wetlands Revival Trust, destacando a capacidade dos pântanos de regenerar a vida e mitigar os impactos agrícolas.

Índia: redescobrem um peixe dado como extinto desde 1933

No estado indiano de Bengala Ocidental, pesquisadores confirmaram em 2024 a reaparição do Chel snakehead (Channa amphibeus), um peixe de água doce visto pela última vez em 1933. A descoberta ocorreu no sistema fluvial do rio Chel, no Himalaia, onde três exemplares foram coletados graças a pistas fornecidas por uma tribo local que o inclui em sua dieta tradicional.

“A resolução deste antigo mistério na ictiologia indiana reforça a importância da exploração contínua e da persistência da biodiversidade, mesmo em espécies que se acreditava estarem perdidas”, afirmou Tejas Thackeray, fundador da Thackeray Wildlife Foundation.

Aparição de espécies extintas: um convite para proteger o invisível

Ambos os casos são lembretes do valor de:

  • Monitoramento constante e ciência de campo
  • Participação comunitária na conservação
  • Restauração de ecossistemas como estratégia contra as mudanças climáticas

Embora os números de espécies extintas —pelo menos 30 documentadas de acordo com a UICN, e muitas outras sem registro— continuem preocupando, essas reaparições mostram que a restauração é possível com compromisso e conhecimento local.

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