A comunidade científica global elevou seu nível de preocupação devido a um fenômeno climático emergente que poderia transformar drasticamente as condições meteorológicas internacionais nos próximos meses. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou sobre o desenvolvimento inicial de um evento climático conhecido como “Super El Niño“ no Pacífico tropical, o qual está mostrando sinais de intensificação acelerada.
Impacto do Super El Niño: Calor Extremo Ameaça o Mundo
Modelos meteorológicos avançados projetam um aumento sustentado e significativo nas temperaturas da água nas regiões críticas do Pacífico central e oriental, estimando que estas poderiam superar os 2 °C sobre os valores normais. Este aumento térmico poderia alterar o ciclo atmosférico em uma escala sem precedentes.
Segundo a OMM, o Super El Niño poderia intensificar-se ainda mais em julho, provocando potencialmente consequências catastróficas. Este fenômeno natural, conhecido como a Oscilação do Sul de El Niño (ENSO), é um dos principais motores das variações climáticas mundiais, alternando entre fases de aquecimento e resfriamento devido aos ventos alísios.
Em condições padrão, esses ventos deslocam a água quente para o oeste, o que permite o surgimento de correntes frias nas costas da América do Sul. No entanto, o enfraquecimento atual desses ventos está causando uma acumulação de calor sem precedentes no Pacífico equatorial.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, sublinhou que a extensão deste fenômeno aumentará as probabilidades de secas prolongadas, chuvas torrenciais e extremas ondas de calor em diversos ecossistemas, tanto terrestres quanto marinhos.
Este padrão climático coincide com um contexto de aquecimento global preexistente, onde regiões como o Atlântico equatorial já registram temperaturas muito acima da média histórica.
O ponto máximo do fenômeno geralmente ocorre entre novembro e fevereiro, e é durante o ano seguinte que sua influência é sentida mais intensamente no termômetro global. A OMM adverte sobre uma alta probabilidade de experimentar temperaturas incomumente altas na maioria das áreas povoadas do planeta, situadas entre os 60° de latitude norte e sul.
Na Europa, especialmente, este anúncio chegou em um momento de vulnerabilidade climática extrema. O continente registrou temperaturas recordes, como no Reino Unido, onde junho foi o mês mais quente registrado, com picos de 37,3 °C em Suffolk e uma média mensal sem precedentes de 17,1 °C.
A França também experimentou ondas de calor letais que foram oficialmente vinculadas a mais de 1.300 mortes durante a temporada. Embora as atuais massas de ar quente na Europa não tenham sido causadas diretamente pelo El Niño, a energia adicional que este fenômeno trará para a atmosfera agudizará as condições existentes.
Prevê-se que o Super El Niño, combinado com um aumento global de 1,4 °C, elevará as temperaturas em quase todo o planeta nos próximos meses. No norte da Europa, a previsão inclui uma diminuição drástica das precipitações e verões ainda mais quentes entre 2026 e 2027, seguidos por um maior risco de frios extremos nos invernos subsequentes.



