Embora haja inúmeros estudos relacionados com as superfícies expostas das árvores, como as folhas, raízes e cascas, pouco se sabe sobre o que acontece no interior delas. Por essa razão, cientistas de Yale decidiram ir além, descobrindo que existe uma próspera comunidade microbiana dentro da sua madeira.
O artigo publicado na revista científica Nature revelou que uma única árvore abriga cerca de um trilhão de bactérias no seu tecido lenhoso. Essa descoberta estabelece uma nova fronteira da fisiologia arbórea e da ecologia florestal, o que poderia ser útil na previsão de respostas dos bosques às mudanças futuras, sem mencionar sua capacidade de se adaptar às mudanças climáticas.
Para chegar a essas conclusões, a equipe de especialistas examinou cerca de 150 árvores vivas de aproximadamente 16 espécies do noroeste dos Estados Unidos. Foi assim que também revelaram que os micróbios se distribuem pela madeira interna e externa, cada um com seu próprio microbioma único e com mínimas semelhanças com outros tecidos vegetais.
Por outro lado, a pesquisa explicou que os micróbios que estão dentro da madeira interna não precisam de oxigênio, ao contrário dos que permanecem na madeira externa, que sim precisam. Além disso, acrescentou que esses organismos são capazes de produzir gases e reciclar nutrientes de forma ativa.

Árvores diferentes, microbiomas distintos
Além das diferenças entre os microbiomas da madeira interna e externa, também são diferentes em cada espécie de árvore, uma vez que são de regiões e climas diferentes do mundo, o que pode ajudar a obter uma melhor compreensão dos fatores que impulsionam a diversidade e a função microbiana.
Segundo os autores, que passaram mais de um ano congelando e analisando amostras de madeiras com o objetivo de encontrar um método que permita obter um DNA de alta qualidade para descobrir os microbiomas nos troncos, ainda há uma enorme biodiversidade a ser explorada e inúmeros microbiomas a serem conhecidos e documentados.

Árvores, como núcleos de vida
As árvores são verdadeiros núcleos de vida, capazes de gerar ecossistemas completos ao seu redor. Sua copa oferece abrigo a pássaros, insetos e pequenos mamíferos, enquanto seu tronco e galhos servem de suporte para líquenes, musgos e fungos. Sob sua sombra, a temperatura e a umidade são reguladas, favorecendo o desenvolvimento de plantas mais delicadas.
No solo, as raízes não apenas fixam a árvore, mas também criam redes subterrâneas que trocam nutrientes com outros exemplares por meio de fungos micorrízicos. Essa rede subterrânea sustenta a fertilidade do terreno e permite que outras espécies vegetais prosperem, fortalecendo a biodiversidade da área.
Além disso, as árvores atuam como reguladoras do clima local. Ao absorver dióxido de carbono e liberar oxigênio, melhoram a qualidade do ar e contribuem para mitigar o aquecimento global. Juntas, formam habitats essenciais que mantêm o equilíbrio natural e favorecem a coexistência de múltiplas formas de vida.



