A empresa argentina Satellogic anunciou a assinatura de um contrato de USD 18 milhões para fornecer dois satélites ópticos de última geração a Portugal, em uma iniciativa que busca reforçar a autonomia tecnológica do país europeu e potencializar suas capacidades em defesa, sustentabilidade e observação da Terra. O projeto terá um impacto direto no desenvolvimento da Constelação Atlântica, considerada estratégica para a região.
A transferência de propriedade e controle operacional dos satélites para o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto de Portugal (CEiiA) está prevista para o segundo trimestre de 2026. Segundo a companhia, este cronograma acelerado é possível graças à sua linha de produção verticalmente integrada e à rápida cadência de lançamentos que caracteriza a Satellogic.
Satellogic: uma empresa argentina com projeção global
Com um valor de mercado próximo a USD 500 milhões e cotação em Wall Street, a Satellogic se especializa no design, fabricação e operação de sistemas satelitais.
Sua constelação de nanosatélites em órbita baixa permite obter imagens de alta resolução do planeta, oferecendo informações precisas a governos e clientes comerciais em setores como agricultura, segurança, energia e planejamento urbano.
A visão de Portugal e a Constelação Atlântica
Para Jorge Cabral, Chief Scientific Officer do CEiiA, a incorporação destes satélites representa um avanço notável nos objetivos nacionais de observação da Terra. “O fornecimento destes dois satélites marca outro marco importante para o cumprimento da Constelação Atlântica”, afirmou, sublinhando a importância da transferência de conhecimentos como parte fundamental da colaboração.
Desde a Satellogic, o CEO e cofundador Emiliano Kargieman destacou que a aliança redefine a entrega de sistemas satelitais ao oferecer acesso rápido, acessível e soberano a capacidades de observação de alta qualidade. “Portugal e a Constelação Atlântica representam uma abordagem de ponta em direção à inteligência geoespacial resiliente”, assinalou.
Aplicações e soberania tecnológica
Os satélites, com uma resolução de 50 centímetros, habilitarão aplicações de alto valor em linha com prioridades locais e regionais. Entre elas:
- Sustentabilidade ambiental: monitoramento de florestas, costas e recursos naturais.
- Segurança e defesa: vigilância estratégica e controle territorial.
- Planejamento urbano e agrícola: dados precisos para gestão de solos e cultivos.
O modelo integral da Satellogic apoia a disponibilidade autônoma de dados e a independência tecnológica a longo prazo, aspectos centrais para a soberania em observação da Terra.

A trajetória de Emiliano Kargieman
Kargieman, conhecido em seus inícios como jovem hacker, fundou a Core Security, empresa de segurança informática com clientes como Amazon e Mastercard. Em 2010, assistiu à Singularity University, no Ames Research Center da NASA, onde se convenceu de que podia reinventar a indústria satelital. Assim nasceu a Satellogic.
Nos últimos meses, seu nome também se vinculou ao mega investimento de USD 25.000 milhões da OpenAI para levantar um grande data center de inteligência artificial na Patagônia, considerado o projeto de infraestrutura mais grande da história argentina. A iniciativa se desenvolve junto à Sur Energy, empresa de energia limpa criada por Kargieman e o físico e investidor tech Mat Travisano, falecido recentemente em um acidente de montanha. O objetivo é converter a Argentina no maior hub de IA da região, exportando potência computacional a escala global.
A importância do contrato da Satellogic com Portugal
O contrato com Portugal consolida a Satellogic como um ator chave na indústria espacial internacional e reforça o papel da Argentina no desenvolvimento de tecnologias de observação da Terra.
Ao mesmo tempo, os projetos vinculados à inteligência artificial e à energia limpa mostram como a inovação argentina pode ter impacto global, desde a Constelação Atlântica até o futuro da computação na Patagônia.



