Nas dunas douradas da região autônoma da Mongólia Interior, o alumínio de milhares de painéis reflete o sol e transforma a paisagem da China. Lá, o deserto de Kubuqi se tornou um dos maiores polos solares do planeta.
Durante décadas, os habitantes viram como o excesso de pastoreio e o aumento das temperaturas degradavam a terra. A vegetação recuou e o solo perdeu fertilidade, enquanto o deserto avançava sem freio.
No entanto, nos últimos dez anos mais de 46.000 hectares foram ocupados por parques solares. Além disso, os cientistas detectaram que os painéis atuam como sombra e quebra-ventos, o que ajuda a proteger a grama e reduzir a erosão.

A expansão renovável e a ambição climática de Pequim
A transformação não se limita à Mongólia Interior. Em províncias como Gansu e Xinjiang, extensas bases eólicas e solares produzem eletricidade suficiente para abastecer milhões de lares.
Este impulso responde à meta anunciada por Xi Jinping perante a Organização das Nações Unidas em 2020: alcançar o pico de emissões antes de 2030 e a neutralidade de carbono em 2060.
Segundo dados do Global Energy Monitor, a capacidade solar chinesa passou de apenas 0,1 GW em 2010 para 574 GW em 2026. Se incluirmos instalações menores e telhados residenciais, o total supera os 1.000 GW, consolidando uma liderança global.
Quais são os benefícios ambientais e econômicos da energia verde?
A expansão da energia solar e eólica traz múltiplas vantagens ecológicas. Em primeiro lugar, reduz a dependência do carvão, responsável por grande parte das emissões de dióxido de carbono.
Além disso, diminui a poluição do ar urbano, melhora a saúde pública e contribui para mitigar as mudanças climáticas. Da mesma forma, fomenta a inovação tecnológica e gera emprego em setores estratégicos como baterias e veículos elétricos.
Por outro lado, a energia verde diversifica a matriz energética e fortalece a segurança do abastecimento. Consequentemente, permite cobrir o crescimento da demanda elétrica sem aumentar proporcionalmente o uso de combustíveis fósseis.

Tensões, desafios e reconversões ambientais
No entanto, a velocidade da transição gera tensões locais. Em Yunnan, antigos cultivos de chá foram substituídos por instalações solares, o que desperta preocupação com a erosão e o uso do solo.
Também existem questionamentos sobre a mineração de terras raras em Bayan Obo e o impacto ambiental associado. A isso se soma a incerteza sobre o futuro das comunidades vinculadas à indústria do carvão.
Um exemplo de reconversão ocorre na província de Anhui, onde antigas minas inundadas foram transformadas em parques solares flutuantes. Assim, um território degradado pela extração fóssil hoje gera eletricidade limpa para dezenas de milhares de lares, simbolizando a complexa mas decisiva transição energética chinesa.



