Japão aposta em painéis solares ultraleves e flexíveis para transformar sua matriz energética renovável.

Com o objetivo de alcançar a neutralidade de carbono até 2050 e fortalecer sua competitividade tecnológica, o Japão intensifica seus investimentos em painéis solares flexíveis fabricados com perovskita, uma alternativa leve e adaptável que promete revolucionar o mercado energético.

Em contraste com os sistemas convencionais de silício, esses dispositivos ultraplanos podem ser instalados em superfícies curvas ou irregulares, um atributo crucial em um país onde 70% do território é montanhoso.

Uma vantagem estratégica é o uso de iodo como componente chave, material do qual o Japão é o segundo maior produtor mundial, depois do Chile. No entanto, existem desafios técnicos: as células solares de perovskita contêm chumbo e ainda não igualam a eficiência nem a durabilidade de seus pares de silício.

Apesar disso, o ministro da Indústria, Yoji Muto, foi categórico: “Essas células são nossa melhor ferramenta para alcançar a descarbonização e recuperar o protagonismo industrial”.

Para acelerar sua implementação, o governo concedeu subsídios no valor de 157 bilhões de ienes (US$1 bilhão) à empresa Sekisui Chemical, com o objetivo de fabricar painéis capazes de gerar 100 MW até 2027, equivalente ao consumo de 30.000 lares.

Transição energética e liderança tecnológica até 2040 com painéis solares flexíveis

Para 2040, o Japão planeja instalar painéis de perovskita com capacidade para gerar 20 GW de eletricidade, um volume comparável a 20 reatores nucleares, como parte de uma estratégia nacional para que 50% da demanda elétrica provenha de energias renováveis.

Atualmente, a participação solar —que combina painéis de silício e perovskita— representa 9,8% da matriz energética, mas projeta-se atingir 29% nesse horizonte temporal, impulsionado por avanços tecnológicos e novos desenvolvimentos urbanos.

Em Tóquio e Fukuoka, esses painéis já estão sendo incorporados em edifícios residenciais de grande altura e estádios esportivos, enquanto a Panasonic trabalha para integrá-los em janelas de última geração.

paneles solares flexibles
Japão aposta em painéis solares flexíveis

Segundo Hiroshi Segawa, especialista em tecnologia fotovoltaica da Universidade de Tóquio, “devemos mobilizar todas as tecnologias possíveis. Os painéis solares de perovskita podem ser desenvolvidos integralmente no Japão, desde a matéria-prima até a instalação, o que reforça a segurança energética e econômica”.

Produção descentralizada e redução da dependência da rede elétrica

A leveza estrutural desses painéis —com apenas 1 milímetro de espessura e um décimo do peso das unidades de silício— permite gerar energia diretamente onde é consumida, reduzindo o uso da infraestrutura elétrica tradicional.

Apesar do entusiasmo, eles ainda não são produzidos em massa. Sua eficiência é inferior, com uma vida útil estimada de 10 anos, em comparação com os 30 anos do silício. Além disso, o conteúdo de chumbo exige tratamentos específicos para sua disposição final.

No entanto, os avanços são constantes: alguns protótipos já igualam o desempenho energético dos painéis tradicionais, e espera-se alcançar uma durabilidade de 20 anos em breve. Segawa estima que, mantendo os níveis de investimento, o Japão poderia ter 40 GW de capacidade solar baseada em perovskita até 2040, acelerando a adoção de energias limpas também em outros países.

“Não se trata de escolher entre silício ou perovskita, mas sim de maximizar o uso de todas as fontes renováveis disponíveis”, conclui o especialista em diálogo com a agência AFP. “Se o Japão conseguir estabelecer um modelo sólido, poderá compartilhá-lo em escala global”.

Foto da capa: AFP

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar