Peru impulsiona a transição energética e aposta na energia limpa com dois parques solares em Moquegua e Arequipa

No distrito de Carumas, Moquegua (Peru), será construído um dos parques solares mais altos do planeta, a 4.500 metros acima do nível do mar.

O projeto, denominado Lupi, está a cargo da empresa norueguesa Statkraft e promete transformar o panorama energético do Peru e da região.

Parque solar Lupi: energia limpa do altiplano

Segundo a Statkraft, as primeiras etapas já começaram e a planta estará pronta para operar no final de 2027. Sua localização na província de Mariscal Nieto lhe confere um caráter singular: trata-se de uma instalação que gerará 581 GWh anuais de energia renovável, uma contribuição chave para o sistema elétrico peruano.

O Country Manager da Statkraft Peru, Enzo Contreras, destacou que o projeto se integra à estratégia global da empresa:

“O Peru vem fortalecendo seu compromisso com a transição energética. Nesse contexto, o projeto Lupi representa um passo importante porque está alinhado com nossa estratégia de crescer com projetos de energia elétrica renovável, especialmente solar e eólica”.

As obras civis principais começarão no segundo trimestre de 2026. Além de sua contribuição energética, Lupi gerará emprego e desenvolvimento comunitário através de programas de capacitação e contratação de mão de obra local em comunidades como Cambrune e outras cinco localidades da área de influência.

Statkraft: experiência global em energias limpas

Com sede na Noruega e mais de 130 anos de trajetória, a Statkraft opera em 20 países e gerencia centrais certificadas sob padrões internacionais como a I-REC, que garantem a origem 100% renovável da energia.

No Peru, a empresa já conta com nove plantas hidrelétricas ativas, consolidando sua presença no setor energético andino.

parques solares
O Peru se consolida como destino estratégico para investimentos em energias limpas.

Sunny I: energia solar do deserto arequipenho

O auge do setor solar peruano também se reflete no distrito de La Joya, Arequipa, onde a empresa espanhola Acciona concluiu a construção da planta Sunny I, desenvolvida para Kallpa Generación.

Características principais:

  • Superfície: 549 hectares.
  • Potência instalada: 225 MWp.
  • Tecnologia: 371.040 painéis bifaciais de alto rendimento, capazes de captar radiação solar em ambas as faces.
  • Produção: 611 GWh por ano, equivalente ao consumo elétrico de 547.000 lares peruanos.

A energia será integrada ao Sistema Elétrico Interconectado Nacional através da subestação San José, operando a 220 kV. Além disso, o funcionamento do Sunny I evitará a emissão de 215.000 toneladas de CO₂ a cada ano, reforçando as metas nacionais de redução de emissões.

Acciona: experiência internacional em projetos solares

A Acciona tem participado de grandes projetos solares a nível global, como o complexo Mohammed Bin Rashid Al Maktoum em Dubai (mais de 1.000 MWp), a planta Sishen na África do Sul e o parque El Romero Solar no Chile, considerados referências técnicas do setor.

Peru como epicentro da transição energética

Com iniciativas como Lupi em Moquegua e Sunny I em Arequipa, o Peru se consolida como um ator em crescimento em energia solar. O desenvolvimento simultâneo de infraestruturas limpas reflete a aposta de empresas internacionais pelo país como destino para investimentos estratégicos.

Ambos os projetos, articulados a partir da cooperação público-privada e da transferência tecnológica, são exemplos da mudança estrutural que atravessa a matriz elétrica peruana. Além de gerar emprego e desenvolvimento regional, posicionam o sul do país —com seu altiplano e desertos de recursos solares únicos— como epicentro da transição energética nacional.

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