A Comissão Europeia apresentou a iniciativa T-MED no âmbito da Semana Europeia da Energia Sustentável. Trata-se de um programa de cooperação transmediterrânea em energias renováveis e tecnologias limpas, considerado “emblemático” dentro do Pacto pelo Mediterrâneo.
Segundo a comissária Dubravka Šuica, a região mediterrânea possui um potencial de 2.300 GW de energias renováveis ainda não exploradas, mais do dobro da capacidade atual da UE, com custos de energia solar e eólica entre 30 e 40% mais baixos do que na Europa.
Objetivos do T-MED
A iniciativa busca mobilizar até 25.000 milhões de euros em investimentos até 2035, com uma garantia inicial de 5.000 milhões aportada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Sustentável Plus. Entre suas metas:
- Desenvolver 15 GW de nova capacidade renovável.
- Impulsionar reformas normativas em países parceiros.
- Criar mais de 100.000 empregos verdes.
- Fomentar um mercado energético mediterrâneo mais integrado, sustentável e interconectado.
Os cinco pilares de ação
A Comissão Europeia definiu cinco eixos estratégicos:
- Mobilização de investimentos Reduzir riscos, atrair financiamento e apoiar projetos de energias limpas.
- Cooperação regulatória Simplificar permissões, harmonizar normativas e reduzir obstáculos ao investimento.
- Desenvolvimento de capacidades Agenda de Capacidades T-MED para adaptar a formação profissional, modernizar sistemas educativos e reforçar parcerias universitárias em engenharia e tecnologias digitais.
- Infraestruturas e comércio energético Modernização de redes elétricas, comércio transfronteiriço e implementação de tecnologias inteligentes para integrar renováveis.
- Cooperação industrial em tecnologias limpas Fomentar a fabricação local, fortalecer cadeias de suprimento e promover inovação.

Contexto geopolítico e climático
Šuica sublinhou que muitos países mediterrâneos ainda dependem de combustíveis fósseis, o que os expõe à volatilidade de preços e tensões geopolíticas. Liberar o potencial renovável da região é chave para a segurança energética e a descarbonização.
Por sua vez, o comissário Dan Jørgensen destacou que a crise energética demonstra que a segurança não pode basear-se em combustíveis fósseis, mas sim em sistemas eletrificados, interconexões sólidas e redes eficientes.
Próximos passos
- Convocatórias abertas para investidores privados até 15 de junho de 2026.
- Convocatórias para promotores de projetos até 15 de agosto de 2026.
- Primeira reunião operativa da Plataforma de Investimento T-MED em outubro de 2026.
- Primeiras colaborações industriais UE-Mediterrâneo em tecnologias limpas antes de 2027.
O Mediterrâneo perfila-se como um centro mundial de energias renováveis. Com custos mais baixos e um potencial ainda não explorado, a iniciativa T-MED busca transformar a região em um motor de prosperidade sustentável, reforçando a cooperação entre Europa, África e Oriente Médio.



