Em plena corrida para reduzir as emissões do transporte marítimo, o engenheiro Juan Francisco Sarmiento Medina, natural de Gran Canaria, desenvolveu uma proposta disruptiva: E-MAST, um mastro capaz de gerar energia limpa aproveitando o vento, as ondas do mar e as vibrações do casco.
Este sistema, já patenteado na Espanha, busca financiamento para passar dos planos teóricos para os testes em mar aberto, com aplicações que vão desde a navegação recreativa até a pesquisa científica, a defesa e os drones oceânicos.
Como funciona o E-MAST
Inspirado nos aerogeradores sem pás Vortex Bladeless, o E-MAST utiliza um ímã e uma bobina para transformar a vibração estrutural em corrente elétrica. Além disso, incorpora um rotor interno encapsulado que canaliza o ar para:
- Gerar força adicional
- Libertar microbolhas sob o casco, reduzindo a fricção com a água
- Oxigenar o ambiente marinho, melhorando a qualidade do habitat aquático
Uma de suas vantagens mais destacadas é que funciona com qualquer tipo de movimento: vento, ondas ou correntes, mesmo quando o navio está atracado ou fundeado.

Energia em três eixos
Em simulações teóricas, o E-MAST pode gerar energia a partir de:
- Movimento lateral do mastro
- Giro induzido em seu interior
- Bombeamento maremotriz da quilha
Isso o torna uma fonte constante de energia renovável, capaz de alimentar sistemas a bordo (como navegação, iluminação ou água quente) ou carregar baterias sem depender de combustíveis fósseis.
De veleiros a drones oceânicos
Embora a invenção tenha nascido em um veleiro de 50 metros chamado Dwinger, seu criador dividiu a patente em módulos independentes que poderiam ser adaptados a:
- Navios de pesquisa científica
- Navios mercantes
- Drones oceânicos de longo alcance
Neste último caso, o E-MAST despertou interesse em instituições ligadas à segurança nacional, por sua capacidade de oferecer propulsão silenciosa, sem hélices nem estelas visíveis.
Design integrado e estética naval
Sem elementos externos que afetem a aerodinâmica ou a segurança
Ao contrário de outros sistemas como as velas rotativas (baseadas no efeito Magnus) ou os sistemas de microbolhas em cargueiros, o E-MAST integra todos os seus componentes dentro do mastro, o que:
- Preserva a estética do navio
- Melhora a segurança estrutural
- Optimiza a aerodinâmica
O projeto busca um investimento de cerca de 500.000 euros para proteger a patente a nível internacional. Sarmiento já está em conversações com estaleiros na França e nos Países Baixos para iniciar a produção em série.
Uma solução para a descarbonização do transporte marítimo
Num contexto onde a Organização Marítima Internacional (OMI) exige ao setor naval reduzir a sua pegada de carbono, o E-MAST se apresenta como uma peça-chave para a náutica sustentável. Atualmente, o transporte marítimo representa cerca de 3% das emissões globais de CO₂.
“Os carros elétricos ainda dependem de tomadas, mas este sistema permite a um navio gerar sua própria energia de forma autossuficiente graças ao mar”, afirmou Sarmiento numa entrevista ao portal El Español.



