Uma equipe de pesquisa da Universidade de Jaén (Espanha) apresentou uma tecnologia que abre novas possibilidades para a agrovoltaica: painéis solares capazes de gerar eletricidade de forma eficiente. Ao mesmo tempo, deixam passar luz suficiente para que as culturas mantenham seu ciclo ótimo de fotossíntese.
O desafio da fotovoltaica massiva
- A União Europeia busca que 30% de sua energia provenha de renováveis em 2030 e alcançar a neutralidade climática em 2050.
- A fotovoltaica se expande rapidamente graças à queda de preços pela superprodução da China.
- O problema: os painéis ocupam grandes superfícies e geram conflitos com terras de cultivo.
- A agrovoltaica surge como solução, combinando energia solar com agricultura, apicultura e pecuária.
A inovação de Jaén
Em um estudo publicado em Science Direct, os pesquisadores detalham um sistema batizado como RearCPVbif (Rear Concentrator Photovoltaic bifacial).
- Ao contrário dos painéis semitransparentes convencionais (STPV), esta tecnologia concentra e redireciona a luz refletida para a parte posterior das células bifaciais.
- O resultado: aumento substancial da produção elétrica sem reduzir a transparência óptica necessária para as culturas.
- O fator de transparência atinge 60%, considerado adequado para a maioria das culturas hortícolas.

Parâmetros técnicos chave
Os pesquisadores levaram em conta dois indicadores:
- Transmitância visível média: quantidade de luz visível que atravessa o painel.
- Transmitância fotossintética média: luz útil para a fotossíntese que chega às plantas.
Estudos prévios indicam que o valor mínimo para que as culturas funcionem normalmente deve situar-se em torno de 60%, cifra alcançada pela nova tecnologia.
Estado dos painéis “transparentes”
A indústria fotovoltaica trabalha em duas abordagens:
- Painéis não seletivos por comprimento de onda: absorvem grande parte do espectro solar, com transparência insuficiente.
- Painéis seletivos por comprimento de onda: absorvem radiação ultravioleta e infravermelho próximo, deixando passar a luz visível que as plantas precisam.
O sistema de Jaén se diferencia ao incorporar concentradores ópticos traseiros, otimizando tanto a geração elétrica quanto a transparência.
Viabilidade agrícola
O estudo também avaliou o comportamento térmico:
- A temperatura das células se manteve abaixo de 70 °C.
- Isso evita o efeito “estufa” que poderia alterar os padrões de crescimento das culturas.
A inovação da Universidade de Jaén demonstra que é possível expandir a energia solar sem comprometer a produção agrícola.
Com um design que combina eficiência elétrica e transparência óptica, os painéis RearCPVbif representam um avanço chave para a agrovoltaica e para a transição energética rumo a um modelo mais sustentável.



