40% da megafauna marinha enfrenta alta vulnerabilidade devido à atividade humana, especialmente tartarugas, sirênios e tubarões

Cerca de 40% da megafauna marinha a nível global encontra-se em situação de alta vulnerabilidade frente a ameaças derivadas da atividade humana.

Assim revela o maior estudo internacional realizado sobre o tema, publicado em Conservation Biology, que convocou mais de 300 cientistas marinhos de 51 países para avaliar o impacto de 23 fatores de risco sobre 256 espécies emblemáticas.

Espécies mais vulneráveis

A análise, liderada por Michelle VanCompernolle e Ana Sequeira da Universidade da Austrália Ocidental, identificou as tartarugas marinhas, os sirênios (peixes-boi e dugongos) e os tubarões como os grandes vertebrados oceânicos com maior vulnerabilidade.

A equipe internacional colaborou com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e outras instituições científicas para fundamentar os resultados.

Principais ameaças

O estudo sublinha que as temperaturas extremas, os espinhéis à deriva e as artes de pesca fixas constituem os perigos mais relevantes para estas espécies, que cumprem funções ecológicas chave nos oceanos.

  • Temperaturas extremas: afetam a maior proporção de espécies, agravando as condições em águas costeiras e de alto mar.
  • Poluição por plásticos: incide na mortalidade ao ser ingerida ou alojar-se nos corpos dos animais.
  • Pesca industrial: mediante espinhéis e artes fixas, provoca as quedas mais marcadas nas populações de megafauna marinha.

Estas práticas capturam acidentalmente grandes vertebrados que não constituem o objetivo comercial, causando danos irreversíveis em suas populações.

megafauna marinha
Um estudo internacional alerta sobre riscos críticos para várias espécies marinhas.

Metodologia de avaliação

A equipe científica utilizou um sistema avançado de avaliação baseado na Lista Vermelha da UICN, considerando três dimensões:

  • A gravidade da ameaça.
  • A abrangência sobre a população.
  • O momento em que ocorre o impacto.

Desta forma, diferenciaram entre ameaças de grande proporção, como a mudança climática e a poluição plástica, que afetam muitas espécies embora nem sempre gerem descensos populacionais diretos, e ameaças de alta gravidade, como os métodos de pesca, que podem causar fortes diminuições.

“Descobrimos que algumas ameaças, como as artes de pesca, são de alta gravidade, o que significa que podem causar fortes diminuições de população”, pontuou Ana Sequeira.

Resultados específicos

  • Tartarugas e sirênios: os grupos mais vulneráveis, com riscos elevados nas quatro categorias de ameaça avaliadas: mudança climática, impactos costeiros, artes de pesca e perturbações marítimas.
  • Tubarões e raias: principalmente afetados pela pesca, tanto por capturas acidentais como dirigidas.
  • Eventos extremos: ondas de calor marinhas e branqueamento de corais agravam os riscos.

Chamada à ação

O relatório destaca a necessidade de atender às ameaças de forma simultânea mediante estratégias de conservação coordenadas e multiamenazas.

“Nossas descobertas ressaltaram a necessidade de estratégias de conservação coordenadas e multiamenazas para reduzir o risco de extinção global”, enfatizou Sequeira.

Atualmente, a megafauna marinha contribui para manter o equilíbrio dos ecossistemas, atua como sentinela da saúde dos oceanos e gera benefícios econômicos através do turismo e da pesca sustentável.

Segundo a UICN, um terço destas espécies já está ameaçado de extinção. Frente a este panorama, o estudo oferece uma base científica robusta para orientar políticas públicas e priorizar intervenções que assegurem a sobrevivência destes animais frente à crescente pressão das atividades humanas.

A proteção da megafauna marinha é essencial não só para preservar espécies emblemáticas, mas também para garantir a resiliência dos ecossistemas oceânicos e o bem-estar das comunidades que dependem deles.

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