A cidade de Buenos Aires deu o primeiro passo para elaborar o Código Ambiental, a dívida pendente de 30 anos.

A Legislatura da Cidade de Buenos Aires deu um passo crucial na quinta-feira ao aprovar a criação da Mesa de Trabalho para o desenvolvimento do Código Ambiental.

O objetivo é construir regras claras de proteção ambiental e promover a sustentabilidade, melhorando assim a qualidade de vida dos portenhos.

Esta iniciativa, impulsionada pelo legislador Alejandro Grillo e pelo bloco de União pela Pátria, busca saldar uma dívida pendente há quase 30 anos. A sanção de um Código Ambiental para a Capital, um mandato de sua Constituição.

Caminho para o Código Ambiental: um processo participativo e necessário

Esta nova Mesa de Trabalho, cuja formação foi aprovada pela Legislatura com uma votação de 41 a 5, garantirá a participação de atores-chave: políticos, acadêmicos e a cidadania. O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos portenhos e garantir um futuro mais saudável em geral.

O projeto de um Código Ambiental já estava previsto no Plano Urbano Ambiental (PUA), sancionado em 2008. No entanto, a falta de ação levou a uma demanda judicial. O Juiz Guillermo Scheibler, em 2023, declarou a inconstitucionalidade da omissão e ordenou à Legislatura corrigir o descumprimento o mais breve possível.

Buenos Aires, mais perto de ter seu Código Ambiental. Buenos Aires, mais perto de ter seu Código Ambiental.[/caption>

Em sua sentença, o juiz Scheibler destacou o tempo decorrido “sem que se cumprisse com o mandato constitucional” e apontou que essa demora violava o direito à participação cidadã na elaboração de normas ambientais.

O legislador Grillo enfatizou a complexidade da tarefa: “O desenvolvimento do Código Ambiental é imperativo e deve ser elaborado por atores competentes. A legislação ambiental vigente, que será a base, pode apresentar lacunas legais e contradições.

Por isso, uma equipe de trabalho organizada é fundamental para resolver essas questões e conseguir a sanção do código“.

O que diz a Constituição portenha

A Constituição da Cidade não inclui um Código Ambiental, mas prevê sua criação como conjunto de disposições que regulem a qualidade ambiental e a gestão de riscos para a sustentabilidade.

Este Código, que deve ser debatido em um procedimento de dupla leitura com audiência pública, ainda precisa ser sancionado para consolidar a normativa em matéria ambiental e garantir a participação cidadã, conforme estipulado pelo Artigo 89 da Constituição.

O que mudaria com o Código Ambiental. O que mudaria com o Código Ambiental.[/caption>

Por outro lado, é importante destacar que a Cidade conta com diversas leis que regulam aspectos específicos do ambiente. É o caso da Lei de Avaliação de Impacto Ambiental (Lei 123) ou a Lei de Resíduos Sólidos Urbanos (Lei 1854). No entanto, a elaboração do Código Ambiental buscaria integrar e complementar essas normativas em um quadro mais amplo e coeso.

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