Brasil aprovou nesta segunda-feira um controverso projeto de exploração de petróleo em frente à foz do rio Amazonas.
A decisão parece especialmente polêmica dado que está a menos de três semanas de sediar a cúpula climática mais importante do ano: a COP30.
Assim, trata-se de um momento crítico: enquanto o país se prepara para liderar as conversas globais sobre crise climática em novembro, a Petrobras iniciará perfurações em uma área considerada ambientalmente vulnerável.
Isso também contrasta com a imagem global que o presidente “Lula” Da Silva busca mostrar ao mundo.

Embora inste as nações mais ricas a assistirem com o cuidado da Amazônia, e insistiu em realizar em Belém, “A Porta da Amazônia”, a COP30. Agora avaliza este projeto petrolífero.
A notícia surge após o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) conceder à Petrobras a licença ambiental que precisa para explorar o chamado “bloco 59” do Amazonas.
Este está localizado a 170 quilômetros mar adentro em frente ao estado do Amapá, sobre a linha do equador.
A primeira fase de exploração durará cerca de cinco meses para confirmar se os estudos sobre os depósitos são corretos.
“A sonda está na localização e a broca, apontando para o poço”, declarou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Ela confirmou que as perfurações começarão imediatamente.
O projeto em busca de petróleo que divide o governo no Brasil
A autorização expõe as tensões internas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Enquanto o presidente defendeu esta nova fronteira petrolífera argumentando que as receitas combaterão a pobreza e financiarão a transição energética, sua ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, se opõe a expandir as atividades petrolíferas para novos territórios.
O processo de licenciamento se estendeu por quase cinco anos.

É que, inicialmente, o Ibama rejeitou o pedido da Petrobras em 2023 por “inconsistências técnicas“, mas a petrolífera recorreu e forneceu mais informações.
Assim, o instituto diz ter defendido o “rigor” do processo.
Além disso, o Ibama também apontou que a Petrobras melhorou “substancialmente” o projeto, especialmente nos planos de resposta a emergências como possíveis derramamentos.
Petróleo no Brasil: o potencial econômico vs. o risco ambiental
A área tem um potencial de 10.000 milhões de barris recuperáveis. Além disso, pode atrair investimentos de 300.000 milhões de reais (55.000 milhões de dólares), segundo o governo.
O Brasil é atualmente o sétimo ou oitavo produtor mundial de petróleo com 3,3 milhões de barris diários.
Com este projeto, o plano governamental é converter a nação no quinto produtor mundial até 2030.
O ministro de Energia, Alexandre Silveira, celebrou a autorização por assegurar “o futuro da soberania energética” do Brasil.
No entanto, a área está localizada em uma das maiores costas de manguezais do mundo e perto de reservas naturais, territórios indígenas e recifes de coral.

Críticas de ambientalistas a Lula e contradições climáticas
Para o Observatório do Clima, uma aliança de 130 organizações, a concessão “sabota a COP e contradiz o papel de líder climático reivindicado pelo presidente Lula”.
A organização anunciou que recorrerá aos tribunais para deter o projeto. Eles o qualificam de “desastroso do ponto de vista ambiental, climático e da biodiversidade“.
Paulo Artaxo, cientista do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), advertiu que abrir novas áreas petrolíferas “agravará ainda mais” o aquecimento global.
“O Brasil tem a oportunidade de explorar seu enorme potencial em geração energética solar e eólica, não devemos desperdiçá-la”, afirmou.
Por sua vez, a WWF Brasil alertou que a região abriga 80% dos manguezais do país.
Além disso, as fortes correntes da foz do Amazonas podem fazer com que a contenção de um derramamento seja “extremamente” difícil.
A paradoxa da COP30 na Amazônia
A decisão coincide com os preparativos para a COP30, que será realizada de 6 a 10 de novembro em Belém. Será a primeira cúpula climática da ONU na Amazônia.
Lula a apresentou como “a COP da verdade” e destacou que a desmatamento na floresta tropical caiu 30% em 2024.
Inclusive, o diplomata André Corrêa do Lago, presidente designado da conferência, apontou em suas cartas à comunidade internacional a importância de “afastar-se” dos combustíveis fósseis.
Isso contradiz com o projeto da Petrobras e a postura de Lula a respeito.
Além disso, os ambientalistas sustentam que a decisão contradiz o compromisso governamental de reduzir as emissões de gases poluentes entre 59% e 67% até 2035.



