Produtores do norte de Santa Fe enfrentam graves inundações que afetam cerca de um milhão de hectares. Em particular, a situação impacta com maior intensidade em Vera e nos Baixos Submeridionais, onde o excesso de água compromete a atividade pecuária.
De fato, durante a última semana foram registradas precipitações de entre 200 e 400 milímetros. Além disso, no Departamento 9 de Julio acumularam-se 240 milímetros em poucas horas, o que agravou o escoamento para áreas mais baixas.
Como resultado, os campos alagados dificultam a produção e geram perdas significativas. Em consequência, as entidades rurais impulsionam a declaração de emergência e desastre agropecuário para a região.

Impacto produtivo e social no território
A pecuária extensiva, principal atividade da região, encontra-se severamente afetada. Em primeiro lugar, o alagamento provoca perda de condição corporal no rebanho e limita o acesso a alimento.
Além disso, registram-se problemas sanitários e mortalidade de animais. Portanto, os produtores devem transferir o gado para áreas mais seguras, o que aumenta os custos operacionais.
Por outro lado, a falta de infraestrutura agrava o cenário. Em consequência, caminhos intransitáveis isolam os moradores e dificultam serviços essenciais como a educação e a sanidade animal.
Atrasos na colheita e deterioração de cultivos
O excesso de chuvas também afeta a produção agrícola na região núcleo. Segundo a Bolsa de Comércio de Rosário, a colheita de soja apresenta um avanço muito abaixo do habitual.
Além disso, a alta umidade, a baixa radiação solar e o orvalho noturno dificultam a secagem dos solos. Desta forma, atrasa-se a colheita e aumenta o risco de perda de qualidade do grão.
Em paralelo, zonas como Bigand, Cañada de Gómez e Carlos Pellegrini apresentam diferentes níveis de afetação. Inclusive, em Marcos Juárez as condições poderiam piorar com novas precipitações.

Fatores climáticos por trás das inundações
As intensas chuvas registradas em curtos períodos respondem a uma combinação de fatores climáticos. Em primeiro lugar, o aumento de eventos extremos associado às mudanças climáticas incrementa a frequência de precipitações intensas.
Além disso, a possível influência do fenômeno El Niño gera condições mais úmidas na região. Em consequência, favorecem-se acumulações de água que superam a capacidade de absorção do solo.
Por outro lado, a escassa inclinação natural dos Baixos Submeridionais dificulta a drenagem. Desta forma, a água se acumula e prolonga os períodos de inundação, amplificando o impacto sobre os ecossistemas produtivos.
Um cenário que exige adaptação e planejamento
Frente a este contexto, os produtores e organizações rurais reclamam medidas urgentes. Em primeiro lugar, a declaração de emergência permitiria acessar assistência econômica e técnica.
Além disso, torna-se necessário fortalecer a infraestrutura hídrica e os sistemas de manejo do território. Em consequência, poderia-se reduzir a vulnerabilidade frente a eventos extremos.
Finalmente, a situação evidencia a necessidade de estratégias de adaptação às mudanças climáticas. Assim, a articulação entre políticas públicas e práticas sustentáveis será chave para sustentar a produção e preservar o equilíbrio ambiental.



