O Prêmio Nobel, um dos galardões mais prestigiados da história, poderia adicionar uma nova categoria pela primeira vez em mais de meio século.
Diversas vozes do âmbito científico, ambiental e social instaram o Comitê Nobel e a Real Academia Sueca de Ciências a criar um Prêmio Nobel do Clima e da Saúde Planetária, destinado a reconhecer avanços significativos em inovação, mitigação, regulação e ativismo frente às mudanças climáticas.
Ecosia impulsiona a proposta
A iniciativa foi liderada por Ecosia, o motor de busca que planta árvores, que depositou 1.000.000 € perante um notário em Berlim para contribuir com a dotação do prêmio. A empresa assegura que está disposta a financiar uma fundação a longo prazo ou compartilhar recursos com outras organizações comprometidas com a justiça climática, com o objetivo de garantir que as soluções climáticas tenham um lugar permanente na família dos Nobel.
Em um comunicado, a Ecosia esclareceu que não busca influenciar as nomeações nem a escolha dos laureados. O prêmio seguiria os mesmos princípios que regem o Prêmio de Ciências Econômicas, introduzido em 1968 em memória de Alfred Nobel.
“Como nos adaptamos à crise climática definirá a humanidade”, afirmou Christian Kroll, diretor executivo da Ecosia. “Acreditamos que, graças ao prestígio do Comitê Nobel, este novo prêmio dará visibilidade e inspirará as pessoas que trabalham incansavelmente para garantir nossa sobrevivência durante gerações”.
Um contexto histórico
Desde sua criação em 1901, os Nobel reconheceram avanços em Física, Química, Medicina, Literatura, Paz e Economia. A última categoria adicionada foi a de Ciências Econômicas em 1968.
A proposta de um Nobel do Clima busca preencher uma lacuna evidente: apesar de as mudanças climáticas serem consideradas a maior crise do nosso tempo, não existe um galardão específico que premie os esforços globais para enfrentá-las.

Vozes que apoiam a iniciativa
A campanha recebeu apoio de figuras destacadas:
- Luisa Neubauer, ativista climática alemã: “Um prêmio para o clima e a saúde planetária encorajaria pessoas de todo o mundo a construir soluções, melhorar políticas e mobilizar comunidades”.
- Andreas Huber, da Associação Alemã do Clube de Roma: “A ideia original do Nobel, honrar o maior benefício para a humanidade, hoje se aplica sobretudo àqueles que protegem os alicerces da nossa existência”.
- Álvaro Tukano, líder indígena brasileiro: “Os prêmios mais prestigiados do mundo devem finalmente reconhecer o problema mais dramático que o planeta enfrenta”.
Reconhecer a ação climática como benefício para a humanidade
O Nobel do Clima teria como objetivo dar visibilidade global àqueles que impulsionam soluções inovadoras frente à crise ambiental. Reconheceria tanto cientistas e coletivos quanto empresas e ativistas que alcançaram avanços significativos na proteção do planeta.
A proposta também busca mobilizar comunidades, melhorar políticas públicas e acelerar a transição para um modelo sustentável. Nas palavras de Neubauer, “já é hora de que a tradição Nobel reconheça finalmente a maior crise do nosso tempo”.
A pressão sobre o Comitê Nobel reflete uma demanda crescente: a necessidade de uma vitrine global que premie a ação climática e a saúde planetária. Se concretizado, o Nobel do Clima se tornaria um símbolo de reconhecimento e motivação para aqueles que trabalham na mitigação da crise ambiental e na construção de um futuro mais justo e sustentável.



