A mata atlântica, um dos biomas mais biodiversos e povoados do Brasil, alcançou em 2025 seu número mais baixo de desmatamento em quatro décadas: 8.658 hectares, segundo o relatório da SOS Mata Atlântica. É a primeira vez desde 1985 que a perda de cobertura florestal cai abaixo de 10.000 hectares anuais.
Este bioma, lar de 80% da população brasileira e integrado por grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, sofreu historicamente a pressão da agricultura, urbanização e plantações comerciais.
Dinâmica do desmatamento
- Entre 1985 e 2025, a mata atlântica perdeu 2,4 milhões de hectares, equivalente a 8,1% de sua superfície.
- Atualmente conserva apenas 31% de sua vegetação original.
- Um terço da cobertura florestal tem menos de 10 anos, reflexo da substituição de florestas antigas por vegetação jovem.
- A perda anual de florestas maduras entre 2000 e 2015 oscilou entre 220.000 e 80.000 hectares, com um mínimo de 76.200 em 2015.
Fatores de pressão
O avanço da agricultura —soja, cana-de-açúcar e café— tem sido o principal motor do desmatamento. A isso se somam:
- Plantações comerciais.
- Expansão urbana.
- Legislação ambiental enfraquecida, como o chamado “projeto de lei de devastação”, que transfere a autorização de desmatamento para autoridades locais.

Políticas e restauração
A redução de 40% no desmatamento entre 2024 e 2025 foi confirmada por dois conjuntos de dados independentes. Este avanço é atribuído à pressão pública, mobilização social e aplicação de políticas ambientais.
O Brasil também lançou um programa de restauração florestal na Mata Atlântica:
- Recuperação de 15.000 hectares degradados no Rio de Janeiro.
- Investimento de USD 1.400 milhões entre 2023 e 2025.
- Plantação de 280 milhões de árvores.
- Criação de 70.000 empregos verdes.
- Captura de 54 milhões de toneladas de carbono.
Biodiversidade em recuperação
Um símbolo dos avanços é a reprodução da arara-vermelha na Mata Atlântica pela primeira vez em quase 200 anos.
Esta espécie, chave para a dispersão de sementes, reflete a resiliência do ecossistema e a efetividade das políticas de restauração.
Riscos de retrocesso
Apesar dos avanços, persistem ameaças:
- A aprovação de leis que enfraquecem a proteção ambiental.
- Possíveis mudanças políticas que reduzam o compromisso com a conservação.
- O desmatamento acumulado, que continua elevado em comparação com a cobertura original do bioma.
A queda histórica no desmatamento da mata atlântica é um sinal encorajador para a conservação no Brasil. No entanto, alcançar o “desmatamento zero” dependerá de manter políticas firmes, fortalecer a legislação ambiental e consolidar programas de restauração que integrem desenvolvimento econômico e proteção ecológica.



