O Brasil registou, em 2023, um total de 21,1 milhões de toneladas de metano (CH₄) emitidas para a atmosfera, atingindo o segundo nível mais alto desde a implementação do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima.
Este aumento de 6% em quatro anos preocupa organizações ambientais, que alertam para o potencial de mitigação se forem adotadas estratégias sustentáveis no setor agropecuário.
Pecuária e metano: o vínculo crítico que o Brasil precisa transformar
De acordo com o relatório, a fermentação entérica do gado bovino – ou seja, os gases emitidos pelos animais durante a digestão – foi responsável por 14,5 milhões de toneladas de metano em 2023.
Isso representa 69% do total nacional, explicado pelo enorme tamanho do rebanho brasileiro: 238,6 milhões de cabeças, o segundo maior do mundo depois da Índia.
O setor agropecuário como um todo gerou 75,6% das emissões de metano, seguido por:
- Resíduos sólidos urbanos: 14,6%
- Incêndios florestais: 6,3%
- Sector energético: 2,6%

Como reduzir o metano sem prejudicar a produção pecuária?
Especialistas propõem melhorar a dieta animal, reduzir os tempos de engorda e investir em genética bovina
Gabriel Quintana, especialista em ciência do clima do Instituto Imaflora, afirmou que o Brasil poderia reduzir suas emissões em 25% até 2035, mesmo com o crescimento do rebanho, se forem implementadas práticas sustentáveis como:
- Optimização da dieta animal
- Redução do tempo de abate
- Melhoramento genético do gado
Estas medidas permitiriam reduzir a pegada ambiental sem comprometer a produtividade e contribuiriam para o cumprimento do Compromisso Global do Metano, firmado pelo Brasil em 2021 junto com mais de 150 países.
O metano: um gás invisível com alto impacto climático
Embora a sua vida útil na atmosfera seja mais curta do que a do dióxido de carbono (entre 10 e 20 anos), o metano possui um potencial de aquecimento global 28 vezes maior a curto prazo. Portanto, a sua redução estratégica pode gerar resultados mais rápidos na luta contra as mudanças climáticas.
Uma diminuição de 45% nas emissões de metano poderia evitar um aumento de 0,3°C na temperatura global até 2040, segundo estimativas do Observatório do Clima.
O compromisso climático do Brasil: entre as promessas e a urgência de agir
O país comprometeu-se a reduzir em 30% as suas emissões de metano até 2035, mas ainda não há avanços significativos.
Claudio Ângelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, alertou que o Brasil não tomou medidas concretas para cumprir o compromisso assumido na COP26 de Glasgow.
A falta de ação coloca em risco os objetivos climáticos e a credibilidade internacional do país.
Economia verde e rastreabilidade pecuária: eixos do debate regional
A Agência EFE organizará, em 4 de setembro, em São Paulo, o III Fórum Latino-Americano de Economia Verde, com o apoio da ApexBrasil, Norte Energia, IBMEC, Imaflora e do Observatório do Clima.
Um dos temas centrais será a rastreabilidade do gado, fundamental para garantir práticas responsáveis e transparentes na produção de carne.



